A escola brasileira de diplomatas

Instituto Rio Branco

Mais de duzentos diplomatas de cerca de 50 países já foram formados no Brasil através de um programa de bolsistas estrangeiros, realizado pelo Itamaraty, através do Instituto Rio Branco. Diplomatas de países africanos como Guiné Bissau, Moçambique e Angola estão sendo formados no Brasil. A ação faz parte de um acordo entre o Governo brasileiro e os governos de países que reconhecem o Instituto Rio Branco, instituição responsável pela formação de diplomatas, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil – o Itamaraty, como uma referência internacional.

Desde 1976, quando o Instituto Rio Branco se mudou para Brasília, foi instituído o programa de bolsistas estrangeiros, que oferece todos os anos bolsas para jovens diplomatas de outros países seguirem o Curso de Formação de Diplomatas. A iniciativa surgiu do desejo do Ministério das Relações Exteriores de contribuir, no âmbito de suas competências, para o fortalecimento da cooperação sul – sul, neste campo de formação, estreitando ainda mais os laços entre países amigos.

Ao todo, já foram formados através do Programa cerca de 230 diplomatas estrangeiros de 50 países. Desses, 18 são do continente africano. O número de bolsas oferecidas a cada ano depende da quantidade de alunos brasileiros a ingressarem no Instituto Rio Branco. A ideia é que o número de bolsistas seja o equivalente a um quarto ou um quinto do total da turma. Nos últimos anos, o Instituto tem dado preferência aos países de língua portuguesa da África e a Timor Leste, mas também atende outros países que manifestem interesse. Como, normalmente, o número de candidatos é maior que o número de vagas disponíveis, a escolha é feita de acordo com alguns parâmetros como nível de formação dos candidatos, grau de conhecimento da língua portuguesa e reciprocidade de interesse.

 

O CURSO E A BOA CONVIVÊNCIA

Os bolsistas estrangeiros seguem o mesmo curso dos alunos brasileiros ao longo de um ano de formação. Os bolsistas seguem ainda cursos de português para estrangeiros – para fortalecer o domínio da língua – e de Leituras Brasileiras – que lhes dão maior conhecimento da cultura e história do Brasil. Para o Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, Gonçalo Mello Mourão, o vínculo que os bolsistas criam com o Brasil e a boa impressão de seus países que deixam entre os colegas brasileiros é elemento de fortalecimento dos vínculos bilaterais do Brasil com aqueles países. “Se por um lado o Brasil proporciona aos demais países uma formação de quadros de alto nível de sua diplomacia, por outro, o Brasil constrói uma gama de contatos perenes nos altos escalões de governos amigos que sempre terão interesse no fortalecimento dos laços bilaterais de amizade e cooperação em todos os campos”- pontua. Além disso, ele ressalta outro benefício: o número dos diplomatas no mundo que falam a língua portuguesa se multiplica, assegurando a abertura de uma malha de interlocução facilitada ao nível da diplomacia mundial.

INSTITUTO RIO BRANCO FORMOU MAIS DE 200 DIPLOMATAS ESTRANGEIROS.

 

NOVO OLHAR

A convivência entre alunos de culturas diferentes abre espaço para o diálogo e possibilita que alunos de outros países passem a ver o Brasil com outros olhos, diferente da forma como estavam habituados. Para Gonçalo, tudo isso contribui para o desenvolvimento de níveis de relacionamento internacional que são fundamentais para uma boa atuação profissional do diplomata. Por outro lado, no caso específico da África, essa convivência certamente desenvolve nos alunos brasileiros uma possibilidade de conhecimento mais verdadeiro dos variados aspectos dos países daquele continente e da própria variedade africana, criando, naturalmente, uma curiosidade que leva muitos a desejarem uma maior aproximação com a África.

 

COMPROMISSO E RESULTADO

Ao aceitar as indicações de governos estrangeiros, o Itamaraty requer deles o compromisso de que o aluno, após a conclusão do curso, seja integrado ao Serviço Exterior daquele país. Gonçalo faz uma avaliação bastante positiva da formação de diplomatas estrangeiros no Brasil. Segundo ele, a grande maioria dos jovens bolsistas contemplados pelo programa desde 1976 continua integrada ao serviço exterior de seus países e muitos já são Embaixadores ou altos dirigentes em diversos organismos de seus governos ou de entidades internacionais. Alguns, inclusive, já foram ou são atualmente Embaixadores no Brasil.

 

SERVIDOR PÚBLICO

O diplomata é, antes de tudo, um servidor público federal, funcionário do Ministério das Relações Exteriores ou Itamaraty, órgão da administração pública federal que tem o papel de auxiliar o Presidente da República na formulação e execução da política externa. Ao longo de sua carreira, o diplomata poderá trabalhar nas mais diversas áreas no Brasil (em Brasília ou nos escritórios de representação regional) e no exterior (em embaixadas, consulados ou missões). Para ingressar na carreira de diplomata, através de concurso público, é preciso ser brasileiro nato, ter no mínimo 18 anos de idade, estar no gozo dos direitos políticos e em dia com as obrigações do Serviço Militar e eleitorais. Quanto à formação, a exigência é de que o candidato tenha diploma de graduação em qualquer área emitido por instituição de ensino credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) ou a revalidação do diploma caso o candidato tenha concluído a graduação em instituição estrangeira. O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata vem sendo realizado anualmente desde 1946.

 

O ALUNO QUE VIROU EMBAIXADOR

O atual Embaixador do Suriname em Brasília, Marlon Faisal Mohamed Hoesein, fez a formação como bolsista no Instituto Rio Branco em 1986/87. Bolsista do curso de formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco em 1983/84, Cheickna Keita é hoje o Embaixador do Mali no Brasil. “A minha formação no Instituto Rio Branco foi muito instrutiva no plano acadêmico, o que é um fator determinante na evolução da carreira diplomática. É por isso que sugiro que essa experiência única se transforme em tradição entre o Itamaraty e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Mali”, afirma Keita.

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