A experiência brasileira de apoio ao pequeno negócio

FOTO African Development Bank

Em novembro de 2014, oito representantes do Industrial Development Corporation of South Africa (IDC) e da Small Enterprise Finance Agency (SEFA) visitaram três cidades brasileiras para conhecer as políticas locais de apoio aos micro e pequenos empreendedores. O interesse pelo Brasil e suas instituições se dá pelo fato de o País ser referência mundial no estímulo ao empreendedorismo. As micro e pequenas empresas representam mais de 95% dos negócios e 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Além disso, são responsáveis por mais da metade da geração de empregos (52%).

Criada em 1972 como entidade privada sem fins lucrativos, o Sebrae, sigla para Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, busca promover a competitividade e o desenvolvimento das micro e pequenas empresas atuando com foco no processo de formalização da economia através de parcerias com os setores público e privado, programas de capacitação, feiras e rodadas de negócios. Principal agente de desenvolvimento do empreendedorismo do país, a entidade é frequentemente demandada por instituições internacionais para compartilhar suas boas práticas no desenvolvimento e aplicação de metodologias de gestão para pequenos negócios.

OS PEQUENOS NEGÓCIOS NO BRASIL

O estudo mais recente do Sebrae sobre sobrevivência das empresas, realizado em 2013, revelou que de cada cem empresas criadas no Brasil, 76 sobrevivem aos dois primeiros anos de vida. Essa foi a melhor taxa de todos os tempos – há dez anos, esse índice era de 50%. Internacionalmente, esses dois primeiros anos de atividade também são apontados como os mais difíceis para uma empresa. Se compararmos a sobrevivência dos negócios no Brasil com o estudo feito pela OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), percebemos que o país ocupa a segunda posição do ranking, empatado com Luxemburgo. Apenas a Eslovênia tem uma taxa maior. “Estamos hoje à frente de países como o Canadá, Espanha e Portugal”, celebra Fernanda Maciel Mamar Aragão Carneiro, gerente da assessoria internacional do Sebrae.

São três os principais fatores que garantem a sobrevivência dessas empresas: legislação, escolaridade e mercado. O ambiente legal melhorou bastante desde que o Brasil criou a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e o Supersimples, um tipo de tributação que reduziu os impostos e a burocracia, ao unificar oito tributos em um só boleto. O resultado foi o fim da informalidade para mais de cinco milhões de brasileiros. A escolaridade no Brasil melhorou e isso também tem impacto positivo sobre os empreendedores, que se planejam mais antes de iniciar um negócio.

PARA CADA CEM EMPRESAS CRIADAS NO BRASIL, 76 SOBREVIVEM AOS DOIS PRIMEIROS ANOS DE VIDA

INTERCÂMBIO

Como estatutariamente o Sebrae não pode realizar capacitações fora do território brasileiro, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) firmou uma parceria que permitiu o compartilhamento das metodologias desenvolvidas pelo Sebrae com instituições congêneres da América Latina e Caribe. Até agora já foram realizadas dez iniciativas binacionais (em áreas de fronteira) e 20 transferências de metodologia para multiplicadores de outras instituições, beneficiando mais de 26 mil pessoas direta e indiretamente.

O Sebrae também desenvolveu uma plataforma virtual para o compartilhamento gratuito de conhecimentos, a CO-PYME, que possui conteúdo em três idiomas (espanhol, inglês e português) e destina-se tanto às instituições de fomento quanto aos donos de pequenos negócios. Treze instituições se beneficiam do conteúdo da plataforma, sendo quatro delas do continente africado: ADEI (Cabo Verde), Câmara Municipal da Boa Vista (Cabo Verde), INAPEM (Angola) e IPEME.

FOTO African Development Bank

INICIATIVAS SEMELHANTES NA ÁFRICA

IPEME – Instituto para Promoção de Pequenas e Médias Empresas (Moçambique)

A instituição (…) incentiva a implantação, a consolidação e o desenvolvimento de empreendimentos de pequeno porte em Moçambique. O IPEME foi criado em 2008, vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio, mas é dotado de autonomia administrativa e financeira. O site do IPEME é www.ipeme.gov.mz.

ADEI – Agência para o Desenvolvimento Empresarial e Inovação (Cabo Verde)

A ADEI presta assistência técnica, elabora e avalia estudos e pesquisas, desenvolve e executa programas e projetos, realiza capacitações empresarias e iniciativas de acesso a mercados, e também promove ações para a criação ou melhoria de infraestruturas e serviços de apoio à atividade empresarial. O site da ADEI é http://www.adei.cv.

SEDA – Agência de Desenvolvimento de Pequenas Empresas (África do Sul)

A Agência de Desenvolvimento de Pequenas Empresas (SEDA – sigla para Small Enterprise Development Agency) foi criada em 2004 vinculada ao Departamento de Comércio e Indústria da África do Sul (DTI).

SWEDAN – The Small and Medium Enterprises Development Agency of Nigeria (Nigéria)

Criada em 2003, a Agência de Desenvolvimento para pequenos e médios empreendimentos da Nigéria – serve como vanguarda para a industrialização rural, redução da pobreza, criação de empregos e melhora dos meios de subsistência no País. O site da é http://www.smedan.gov.ng/.

RDB – Rwanda Development Board (Ruanda)

O órgão está diretamente ligado ao gabinete da presidência do País e integra um conselho de Desenvolvimento criado pelo governo para facilitar a abertura de novos negócios. O site do RDB é http://www.rdb.rw/.

TIC – Tanzania Investiment Centre (Tanzânia)

A instituição foi criada em 1997 para ser a principal agência do Governo para coordenar, incentivar, promover e facilitar o investimento na Tanzânia e para aconselhar o Governo sobre a política de investimento e questões relacionadas. O site do Centro é http://www.tic.co.tz/.

 

MAIS

www.co-pyme.sebrae.com.br

 

 

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