A voz feminista negra de Stephanie Ribeiro

Stephanie Ribeiro era ainda estudante de arquitetura quando seus textos começaram a viralizar na internet. Em uma universidade com maioria branca ela achou no feminismo negro e na escrita um lugar de acolhimento e luta. Logo várias mulheres se identificaram com o que Stephanie tinha a dizer e a escritora se tornou uma das vozes mais expressivas do ativismo brasileiro.

Foto: Instagram @ste_rib

De 2012 pra cá a arquiteta e ativista feminista negra já teve textos publicados em sites como Marie Claire Brasil, Blogueiras Negras, Géledes, Confeitaria, Modefica, Imprensa Feminista, entre outros. E através também da sua participação em palestras e eventos ela foi consolidando seu espaço. Em 2015, Stephanie recebeu da Assembleia Legislativa de São Paulo a Medalha Theodosina Ribeiro, que homenageou seu ativismo em prol das mulheres negras.

Aos 26 anos, casada, “mãe” de um cãozinho chamado Basquiat. Stephanie Ribeiro é considerada hoje uma das prinicipais vozes de sua geração, sobretudo na Internet onde ela é seguida por 70 mil pessoas. Em entrevista à ATLANTICO ela falou sobre sua jornada, os desafios e conquistas do movimento negro feminista brasileiro e a busca por se manter coerente com o que acredita.

ATLANTICO –  Você tem hoje uma visibilidade muito grande como uma voz de destaque no feminismo brasileiro. Como você encara isso?

Stephanie Ribeiro – Acredito que isso é muito positivo ao mesmo tempo que trás uma grande responsabilidade. Tenho uma preocupação em não perder a coerência em relação a luta social e os debates que são necessários, mesmo que muitas vezes isso signifique prejudicar minha social. Acho que precisamos prezar pela coerência e sinto que essa é uma grande responsabilidade, logo encaro com alegria por se considerar que negras e mulheres dificilmente são ouvidas no nosso país. Mas com o peso da responsabilidade de me manter atenta e coerente ao que acredito.

ATLANTICO –  O feminismo negro tem ganhado um espaço cada vez maior no centro das discussões que envolvem gênero, racismo e classe, principalmente. Ao que você relaciona esse interesse crescente?

Stephanie Ribeiro – Acredito que de uma forma em geral fechamos muito os olhos para o ativismo negro enquanto sociedade. Hoje no mundo e no Brasil existe uma crescente cobrança por essas discussões dada a ampliação de pessoas negras em espaços de disputa de narrativa. Mas acho que no caso do Brasil, o que torna a discussão mais presente, é que estamos num país de maioria negra, e temos uma história muito ampla de movimento negro e pessoas negras que criaram matérias e fizeram parte da cultura do país, mas que foram invisibilizados. Logo, mesmo que exista uma cobrança por representatividade, nós temos a faca e o queijo na mão, pois muito já fez e se faz em relação ao ativismo negro. Por fim, acho que no mundo todo estamos fazendo discussões que envolvem identidade e gênero, e somos influenciados por isso também.

ATLANTICO –  Quais você acredita que sejam as discussões centrais do feminismo negro, especificamente brasileiro, hoje?

Stephanie Ribeiro – Muitas. Temos eleições [municipais] esse ano e existe uma constante mobilização em prol de representantes negros que estejam alinhados às pautas e necessidades do ativismo negro. Mas enquanto feminista negra eu vejo que precisa além da disputa política, refletir sobre pautas que acabam sendo silenciadas num contexto político tão adverso, como por exemplo, o direito ao aborto seguro e legal. Acho que existem muitas pautas de saúde pública, segurança, o genocídio da população negra… São muitas coisas.

ATLANTICO –  Quem você acredita que é o seu público? 

Stephanie Ribeiro – Meu público é maioria feminino, maioria de mulheres independente da raça, classe e até mesmo idade. Pessoas que se mostram já engajadas em algo e abertas para as diferenças.


Foto: Instagram @ste_rib

ATLANTICO –  Como você se relaciona com o seu público?

Stephanie Ribeiro – Acredito em conexões, mas sempre me coloco também numa posição de impor limites. Como atuo em redes sociais, muitas vezes as pessoas acreditam ser muito mais próximas do que realmente são de mim.

ATLANTICO –  Como começou a escrever?

Stephanie Ribeiro – Comecei a escrever em 2012. Meu primeiro texto foi no site Blogueiras Negras e foi muito importante para mim. A vontade veio do fato de estar cursando uma universidade de maioria branca e me sentir muito sozinha nas minhas convicções e na minha própria existência. Foi nesse momento que me aproximei do feminismo negro e passei a escrever sobre.

ATLANTICO – Em 2015 você foi homenageada com a medalha Theodosina Ribeiro, por conta do seu ativismo em prol das mulheres negras. E em 2018 foi reconhecida pela ONU com o Most Influential People of African Descent. De que forma esses prêmios influenciam na sua forma de fazer ativismo?

Stephanie Ribeiro – Eu fico feliz e grata pelo reconhecimento. Às vezes ele funciona para que as pessoas ao menos me respeite. Como mulher, sinto que para eu ter uma opinião e ela ser considerada, preciso me cercar de títulos e reconhecimento externo. Infelizmente a estrutura machista é assim. Mas não acho que isso altera minha visão de mundo e sobre como falo e faço as coisas.

ATLANTICO – Qual o impacto desse tipo de reconhecimento na sua vida?

Stephanie Ribeiro – Acho que minha mãe fica mega orgulhosa! Ela sempre fica atenta e mostra para as amigas, isso é fofo. E sempre que algo incrível como isso acontece, Tulio (seu marido) me leva pra jantar, o que também é ótimo. Olha, eu me sinto feliz em saber que “não sou louca”” ainda isso é uma questão. Sou mulher, e como mulher e negra, eu acho que o mundo te agride tanto quando você fala e defende uma ideia, que as vezes é bom sentir que não está exagerando.

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