Acordo entre Mercosul e Egito completa dois anos

O Egito e o Mercosul, grupo econômico sul-americano formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, são dois mercados em expansão e situados em regiões em desenvolvimento. Foi visando explorar as novas possibilidades de negócios que, desde 2017, o país africano e o bloco econômico assinaram um acordo de livre comércio que tem derrubado tarifas de importação e estimulado o comércio bilateral. Nestes dois anos, o Egito se tornou o maior parceiro árabe brasileiro, no entanto, ainda existem oportunidades que precisam ser melhor exploradas.

Desde sua entrada em vigor, o acordo zerou as tarifas de 31% dos produtos exportáveis do Mercosul para o Egito, e 26% do país árabe para o bloco sul-americano. Dentro de 10 anos, a expectativa é que esse número fique próximo de 100%. Para 2020, se espera que sejam zeradas as tarifas de produtos como preparações de carne e peixe, pepinos e alguns fertilizantes exportados pelo Mercosul. Pelo lado Egípcio, os produtos são vegetais, alguns combustíveis minerais, máquinas, alguns produtos farmacêuticos, entre outros.

“O Brasil, por ser a maior economia do bloco, tem se beneficiado diretamente do acordo de livre comércio. O Egito, por exemplo, foi o principal destino das exportações brasileiras dentre os árabes, ultrapassando Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos”, explica Fernanda Baltazar, Gerente de Relacionamento Institucional da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB).

“Há um avanço muito significativo, também no lado egípcio, que encontrou no Brasil um mercado interessante para seus produtos, especialmente do ramo de tecelagem, uma especialidade daquele país. Então, temos um avanço expressivo no sentido de construir uma relação comercial verdadeiramente bilateral em que todos ganham”, ressalta Tamer Mansour, secretário-geral e CEO da CCAB.

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“Com este acordo, o Egito superou Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e se tornou o maior mercado árabe para os produtos brasileiros”

“Com isso, espera-se que o fluxo de comércio entre Mercosul e Egito, logo Brasil e Egito também, aumente nos próximos anos, não apenas pela redução tarifária, mas pela cooperação em outras áreas como a aduaneira e fitossanitária para as quais o acordo abre possibilidades”, argumenta Fernanda.

Resultados positivos para o Egito

Com este acordo, o Egito superou Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e se tornou o maior mercado árabe para os produtos brasileiros. Entretanto, em 2018, os valores das exportações brasileiras tiveram redução de 13% em relação ao ano de 2017, resultando em $2.13 bilhões. Para o Mercosul como um todo, a redução foi de 23%.

Segundo Fernanda Baltazar, uma das explicações para essa queda está na baixa dos preços das commodities. Para ela, essa queda no valor não significa, necessariamente, uma queda na quantidade exportada.

“O Egito tem se beneficiado mais claramente do acordo. O Mercosul isentou imediatamente cerca de 26% dos produtos do universo tarifário do acordo, quando originários do Egito, compreende principalmente fertilizantes e sementes de vegetais, por exemplo. Esses produtos impulsionaram o crescimento de 72% das exportações do Egito para o Mercosul entre 2017 e 2018, chegando a US$ 363,60 milhões”, explica Fernanda Baltazar da CCAB.

Novas oportunidades de negócios

Para Mohamed Elkhatib, chefe do Escritório Comercial da Embaixada do Egito no Brasil, os países do Mercosul podem se beneficiar ainda mais desse acordo. Segundo ele, produtos egípcios possuem isenção de taxas em mais de 70 países. Em um seminário sobre o acordo realizado na CCAB, ele afirmou que o bloco sul-americano poderia realizar negociações internacionais utilizando o país árabe como intermediário.

Segundo ele, como esses acordos preveem que os produtos sejam produzidos no Egito, empresários brasileiros podem se beneficiar ao exportar insumos para que sejam finalizados no país africano.

Além do Egito, outros países árabes têm manifestado interesse em acordo similar com o Mercosul. De acordo com Fernanda Baltazar, já há um acordo com a Palestina que, no entanto, não foi ratificado por nenhum dos lados até o momento. Também houve início de negociações com o Marrocos, mas estão paralisadas devido a temor de negociação desleal por parte do setor agropecuário marroquino.

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