África deve crescer com a AfCFTA, diz presidente do IBRAF

O acordo para a criação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês) potencializa ainda mais o crescimento econômico da África, que já é um dos maiores do mundo. A afirmação é do presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte. Segundo ele, o acordo facilita o comércio entre países vizinhos, o que hoje é um dos grandes desafios do continente. As declarações foram ao programa Vozes do Mundo, da rádio Rádio França Internacional (RFI)

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“Muitas vezes, é mais fácil importar ou comercializar um produto de outro continente, como Europa, Ásia ou até dos Estados Unidos, do que comercializar de um país africano para o outro. Essa dificuldade é uma das grandes virtudes que esse acordo de livre comércio preconiza”, afirmou.

Monte ressalta o imenso potencial da região, onde se encontram algumas das mais altas taxas de crescimento econômico do mundo. As empresas internacionais, observa, já perceberam esse potencial há muito tempo. Ele também compara o momento atual do continente africano aos países do Cone Sul nos anos 1970.  A produção agrícola na savana ou no semiárido africanos podem se desenvolver tal como aconteceu no cerrado brasileiro nas últimas décadas, acredita.

Reaproximação

O presidente do Ibraf também lamenta que, por questões políticas, o Brasil tenha se afastado cada vez mais da África, até chegar à ruptura atual.  “Enquanto o governo não faz a sua parte e não contribui, as empresas ficam acanhadas. Isso não é uma prerrogativa do empresário brasileiro: o francês, o americano ou o japonês também têm isso”, frisa Bosco Monte. “Só que eles têm a decisão tácita de levar consigo as marcas dos seus países e investem uma quantidade generosa de recursos para que as marcas se consolidem. O Brasil não tem essa política.”

Enorme potencial

A Zona de Livre Comércio Continental Africana engloba 1,2 bilhão de consumidores – que saltarão para 2,5 bilhões nos próximos 30 anos. Atualmente, apenas 17% das matérias-primas e produtos africanos são vendidos dentro do próprio continente. A cerimônia de  assinatura do acordo de criação da Zona de Livre Comércio Continental Africana aconteceu no último domingo (7) em Niamey , capital do Níger. 54 países já assinaram o acordo e 27 países já o ratificaram. As negociações duraram cerca de 4 anos. A AfCFTA poderá criar o maior bloco comercial do mundo.  Porém, os países africanos anda enfrentam problemas como falta de infraestruturas, disparidades regionais e concorrências internas.

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