Ale Santos e o resgate da história afrobrasileira

Para muitos, as redes sociais são um local de lazer, onde se pode esquecer um pouco sobre os estresses cotidianos. Não é assim que Ale Santos as usa. O publicitário, especialista em gamificação e storytelling, tem usado seu twitter, o @savagefiction, para narrar histórias de negros que são normalmente desconhecidas pelo grande público.

Ale, que se formou em publicidade sendo cotista, passou a ter mais identificação e curiosidade para encontrar raízes e estudar o assunto de forma mais aprofundada quando ainda estava na universidade. “Quem é meu amigo sempre ouviu essas histórias. Eu tento escrever há muito tempo, mas ainda não tinha encontrado o espaço para trazer isso numa proporção que eu gostasse”, explica.

Ale Santos tem usado seu Twitter para narrar histórias que não são do conhecimento do grande público (Arquivo Pessoal)

Entretanto, foi de forma despretensiosa que o Twitter se tornou o ambiente para contar suas histórias para o mundo. Lá, ele fez uma narrativa em formato de Thread (um conjunto de tweets que falam sobre o mesmo assunto) e rapidamente viralizou. Até hoje, o escritor contou mais de 30 histórias no Twitter e afirma que não consegue escolher uma favorita, pois todas elas o marcaram de uma forma única.

“As pessoas estavam se conectando e falando sobre o significado daquilo para elas. Foi aí comecei a entender mais sobre o papel que eu estava exercendo, o papel pedagógico e de comunicação. Recebi até mensagens de pessoas dizendo que estão saindo de 2018 mais negros que no começo”, conta.

O trabalho desenvolvido, no entanto, é árduo, já que conseguir essas informações nem sempre é muito fácil. Ale conta que acessa vários blogs para encontrar uma história que tenha o potencial de envolver ele e seus leitores. A partir daí, são feitas pesquisas em trabalhos acadêmicos, para embasar o melhor possível a história que será contada.

Eu tento escrever há muito tempo, mas ainda não tinha encontrado o espaço para trazer isso numa proporção que eu gostasse

“Eu tenho recebido vários feedbacks de pessoas impactadas as histórias. Recentemente, uma moça me falou que passou o dia cuidando dos filhos de sua irmã e contou pra eles o que eu falava no Twitter. No dia seguinte eles ficaram muito curiosos e querendo saber mais e mais sobre esses líderes negros no tempo da escravidão. Isso mexe de uma forma muita positiva”, conta ele.

Para 2019, Ale já tem contrato com uma editora para lançar seu primeiro livro, que será uma adaptação de suas threads no Twitter. “Eu quero ajudar, de alguma maneira, a reconstruir o imaginário popular brasileiro sobre a figura do negro, da África e de todos os africanos em diáspora, além de exterminar o imaginário racista e eurocêntrico”, conclui.

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