Cisternas, do Brasil para o mundo

Cerca de 450 mil famílias brasileiras ainda não tem acesso à água. O programa Cisternas, financiado desde 2003 pelo governo brasileiro, está atentendendo apenas a um pequeno grupo de pessoas por conta da falta de recursos.

O programa financia a instalação de cisternas, uma tecnologia social para a captação e armazenamento de água da chuva. A cisterna representa uma solução simples mas eficaz de acesso a recursos hídricos para a população rural de baixa renda, que sofre com os efeitos das secas prolongadas ou falta de acesso regular à água.

Custando cerca de R$ 2.500 a R$ 3.000, as cisternas usam a superfície do telhado das casas para recolher a água da chuva e armazená-la. Uma cisterna cheia é suficiente para manter uma família e quatro pessoas tendo acesso a água durante oito meses.

(Foto: LEO DRUMOND / NITRO)

A ASA foi uma das entidades da sociedade civil pioneira no uso de cisternas no sertão nordestino. Formada por mais de três mil organizações como sindicatos rurais, associações de agricultores, cooperativas e ONGs, a ASA está presente nos 10 estados que compõem o semiárido brasileiro, região prioritária do programa. 

Metade dos nove estados da região nordeste do Brasil tem mais de 85% de sua área caracterizada como semiárida.

ATLANTICO conversou com Rafael Neves, coordenador da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) para os programas Um Milhão de Cisternas Rurais e Cisternas nas Escolas. Ele contou como está o programa hoje e quais os próximos desafios. Falou também como está sendo o intercâmbio para implantação do programa em outros países.


Como está o programa hoje? 
O programa está com uma execução  mínima. Não está em todos os estados no semiárido brasileiro e é focado em comunidades remanscentes de quilomboas. Este é recurso que os técnicos do programa de cisternas e a área do governo, que agora está atrelada ao Ministério da Cidadania, conseguiu captar. É com esse recurso que a gente mantém essa execução muito pequena  que é bem longe da demanda que ele exige que é de em torno de 450 mil famílias sem acesso à água, sem condicoes financeiras e dentro do perfil. 

A meta do programa Cisternas era construir 1 milhão de cisternas. O  objetivo foi alcançado em 2014. Mas ainda há muito a ser feito.


Quais os próximos passos do programa?

O próximo passo é continuar esse atendimento e garantir essa universalização que foi posta como objetivo do Estado dentro do programa Brasil Sem Miséria e do programa Água Para Todos, que é do governo brasileiro, e que o objetivo era atender todas as famílias.  Tem poucos recursos previstos para essa área do governo que é hoje colocado como política pública. Porém, a previsão é de pouquíssimos recursos para a continuação dessa ação. Inclusive, a ASA, que criou esse programa para o governo, tem sido preterida pelo próprio goveno para execução do programa de cisternas. Há uma desconfianca sobre nós pelo lado da visão política desse govenrno. Digo que é uma visão política porque a gente tem comprovado capacidade e qualidade no que a gente faz sob as perspectivas técnica e financeira. 

Rafael Neves
Rafael Neves

Que resultados foram obtidos até agora?

A gente hoje já chegou a mais de 1 milhão de famílias, mobilizamos e capacitamos mais de 600 mil famílias. As outras, o governo federal na época contratou junto  outros parceiros, muitas vezes até organizacoes da ASA que executavam junto aos governos estaduais. E esses resultados tiveram ganhos claros. Algumas pesquisas apontam a redução da mortalidade infantil em 60%, redução em doenças diarréicas em mais de 80% e aumento do tempo de vida da mulher, que geralmente dentro das famílias exerce essa função de ir atrás de água onde ela estiver. Essa mulher passou a ter mais tempo de exercer outras funções e gerar recursos para essas famílias de outras formas. 

Em agosto de 2017, o programa ganhou o segundo lugar no Prêmio Internacional de Política para o Futuro (Future Policy Award, no original, em inglês), promovido pela organização sem fins lucrativos World Future Council.


A ASA participou de alguma articulação para ajudar outros países a fazer algo semelhante?

A ASA tem sido pautada por alguns organismos – principalmente a FAO, mas também o FIDA, todos ligados à ONU – para  trocar experiências com outros países. Digo trocar porque há muito o que aprender com outras regiões de semiárido ou de regiões com ecossistemas semelhantes ao do semiárido, que são regiões com escassesz de água. A experiência não é só da cisterna em si mas experiência em gestão de recursos públicos, de construir uma parceria com o Estado e que traz grandes benefícios para a população. Fizemos uma parceria entre Sociedade Civil e Estado, talvez sem igual no mundo.  

Todas essas experiências estão sendo trocados com alguns países da África, mais especificamente na regiãod Sahel. Também temos trocado ideias na região do corredor seco da América Central, como El Salvador, Guatemala e algumas regiões da Amércia do Sul que envolve principalmente Bolívia, Argentina e parte do Paraguai, que é também uma região semi-árida.  

Tivemos algumas parcerias, fizemos algumas trocas de experiências, promovemos oficinas de construções de cisternas nesses países para testar a tecnologia e saber onde ela se adequa. Na Argentina, em outra escala, o governo criou um programa chamado Sede Zero e tem construído algumas áreas de cistenas.

Chico Carneiro, entre Amazônia e Moçambique, tudo vira filme

O cineasta brasileiro Chico Carneiro saiu do Brasil, mais precisamente da região amazônica, atravessou o oceano e foi parar em Moçambique, não apenas fazendo filmes, mas vivendo cinema.

Fórum Brasil África reunirá autoridades do governo brasileiro e de países africanos

O vice presidente brasileiro Hamilton Mourão, assim como diversas autoridades de governos africanos estarão presentes no Fórum Brasil África 2019. O fórum acontece nos dias 12 e 13 de novembro em São Paulo, e vai reunir também representantes do setor privado e da academia além de potenciais investidores. Em sua sétima edição, o tema do evento será “Segurança alimentar: caminho para o crescimento econômico”.

Brasil coopera com o Zimbábue para desenvolver cultura do algodão

O Brasil ocupa lugares de destaque tanto na produção como na exportação de algodão, atraindo diversos parceiros interessados em fortalecer o setor algodoeiro. O mais recente país a buscar o apoio do Brasil é o Zimbábue. Foi assinado um acordo entre os dois países para garantir capacitação e também a transferência de tecnologias brasileiras em algodão para o país africano.

Ipea discute oportunidade de negócios entre Brasil e África

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estará presente no Fórum Brasil África 2019 promovendo uma discussão sobre o potencial de negócios entre Brasil e os países africanos. Em um side event chamado “Desafios para o aprofundamento da cooperação entre o Brasil e os países africanos”, o instituto promoverá um debate com autoridades e representantes do setor econômico.

Rio de Janeiro terá exposição de Arte Iorubá

A Casa de Herança Oduduwa recebe a partir do mês de Agosto uma exposição de peças milenares da cultura iorubá. A mostra de arte...