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Diversificação, a palavra de ordem para os negócios entre Brasil e Egito

O Egito é o 11º maior importador de produtos agropecuários do Brasil. Dos US$ 2,1 bilhões que o País exportou para o país árabe em 2018, 67% foi relativo ao setor. Carne bovina, milho e açúcar respondem por 75% das exportações. “Mas a pauta ainda é muito concentrada. Há muito espaço para crescer e diversificar”, afirmou a ministra brasileira de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, durante o Seminário de Negócios Brasil-Egito, que aconteceu neste fim de semana no Cairo. A diversificação da agenda comercial entre os dois países deu a tônica do evento.


Carne bovina, milho e açúcar respondem por 75% das exportações

A ministra brasileira citou, por exemplo, que o Brasil tem representatividade mundial em café e sucos de frutas. Porém, esses produtos não têm representatividade na pauta com Egito. 11% dos produtos alimentícios consumidos no Egito vêm do Brasil. Mas há um consenso que existe espaço para crescimento. 

Para uma plateia formada majoritariamente por  empresários egípcios, Tereza Cristina falou sobre a parceria comercial que o Brasil mantém com o Egito e disse que é imprescindível que os países continuem trabalhando para diminuir barreiras. Ela ainda frisou que a diversificação da pauta de produtos comercializados é uma das suas principais bandeiras da sua viagem aos países árabes. Além do Egito, ela cumpre missão na Arábia Saudita, no Kuwait e nos  Emirados Árabes.

Isaura Daniel / ANBA
Tereza Cristina, ao centro, acompanhada de lideranças empresariais do Brasil e do Egito

Meio ambiente

Tema caro para o governo brasileiro, a Amazônia foi discutida durante o seminário. “Ao mesmo tempo em que busca aumentar a produtividade e a qualidade da sua agropecuária, o Brasil desenvolve mecanismos para proteger o seu meio ambiente”, garantiu.  A ministra afirmou ainda que a associação feita internacionalmente entre a produção de alimentos do Brasil e o desmatamento e as queimadas na Amazônia são distorções que nem de longe correspondem à realidade. “O problema na Amazônia existe e está sendo tratado com a seriedade que merece”, afirmou.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também apresentou no seminário o lado sustentável da produção brasileira de frango e do agronegócio como um todo. “A produção brasileira de aves está fora do bioma Amazônia”, revelou, reforçando que as operações do segmento estão concentradas na região Sul do Brasil.  Segundo ele, o Brasil tem uma das produções mais sustentáveis do mundo em avicultura. 

11% dos produtos alimentícios consumidos no Egito vêm do Brasil

Por mais equilíbrio 

O diretor geral de Acordos Internacionais do Ministério do Comércio e Indústria do Egito, Michael Gamal Kaddes, pede mais equilíbrio na balança comercial. O acordo de comércio que o Mercosul tem com o Egito é desfavorável para seu país, segundo ele, porque concentra sua pauta em produtos manufaturados. “O Egito até hoje não conseguiu exportar seus produtos agrícolas ao Mercosul”, defende. Ainda segundo Kaddes, o Egito quer vender mais produtos do agronegócio às nações do bloco, onde tem o Brasil como maior parceiro comercial.

“O Brasil é um país rico em água e pobre em fertilizantes. Nosso destino é cooperar”, disse o embaixador Ruy Amaral do Brasil no Egito, citando outro exemplo.

“Espero que nossas relações não fiquem limitadas à importação de carnes, queremos uma parceria mais profunda e verdadeira com o Brasil no que se trata de produtos agropecuários”, afirmou o diretor de Produção Animal da Organização Nacional de Projetos de Serviços do Egito, Fayez Abaza.

Canal de Suez, em Port Said, no Egito

Mais agilidade para os negócios entre Brasil e Egito

O Conselho Econômico da Liga Árabe, em reunião com os ministros da economia de países árabes, decidiu que vai trabalhar pelo desenvolvimento de linha diretas marítimas entre Brasil e países árabes. O objetivo é fomentar a criação de empresas para atuar na área e que tenham investimentos conjuntos do setor privado árabe e brasileiro. 

“Se tem linha direta, você ganha em tempo e é possível ser mais barato, você tem uma sinergia para a volta, para que o navio não fique vazio. A hora que isso estiver em operação, cai o custo do frete e o custo da mercadoria”, expliac o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun. 

Atualmente, entre o Brasil e o Egito, há linha direta apenas para alguns produtos específicos. E os navios oriundos do Brasil passam por outras regiões até atracar no mundo árabe. 

Outra medida que irá baratear custos e encurtar o tempo do processo de exportação brasileira aos países árabes é a implementação da certificação de documentos online emitida pela Câmara Árabe. “Estamos trabalhando nisso”, disse. “Com a certificação online, cai em 20% o valor e o prazo diminui de 20 para cinco dias”. O uso da certificação online já está em testes com a Jordânia. 

Com informações da Agência de Notícias Brasil-Árabe

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