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Entenda como Uganda protege sua principal floresta tropical

Mabira é uma das poucas florestas tropicais remanescentes de Uganda, cobrindo uma área de cerca de 300 quilômetros quadrados. Uma das maiores reservas do país, Mabira abriga espécies ameaçadas. No entanto, o aumento populacional, a alta demanda por carvão vegetal e a invasão agrícola apresentam riscos a sua conversação. Para combater a degradação, Autoridade Florestal Nacional de Uganda utiliza um programa para mapeamento, proteção e manejo florestal.

Chamado de Estratégia Nacional REDD+, o programa foi criado em novembro de 2017 e recebe o apoio da Organização das Nações Unidades, que possui uma estratégia para  redução de emissões decorrentes do desmatamento e da degradação de florestas nos países em desenvolvimento, a UN-REDD. A ideia é incentivar a conservação, a gestão sustentável e o aumento dos estoques de carbono florestal.

“As florestas apoiam nosso bem-estar e também podem ser fontes de renda — nós dependemos das florestas e as florestas dependem de nós”, diz Musonda Mumba, chefe da Unidade de Ecossistemas Terrestres da ONU Meio Ambiente.

Mabira vista por satélite Imagem: Google Maps

Uganda sofreu com o desmatamento ao longo da última década e apresenta uma das mais elevadas taxas de degradação florestal do mundo. Em 1990, a cobertura florestal foi estimada em 24% da área total de terra no país. Em 2015, esse percentual era de 12,4% e, atualmente, é de 9%. Muitas das florestas remanescentes estão em áreas sob proteção da Autoridade Florestal Nacional e da Autoridade de Vida Selvagem de Uganda.

“É importante ter mapas e relatórios precisos sobre a situação das florestas para que as equipes de manejo possam tomar decisões sensatas. No meu trabalho, às vezes fico em campo por 30 dias seguidos na floresta, andando até 15 quilômetros por dia. Mas eu amo a natureza e estou feliz por poder ajudar a proteger o meio ambiente”, diz Brenda Nagasha, supervisora de biomassa da Autoridade Florestal Nacional. 

Brenda em trabalho na Floresta Mabira, medindo as árvores. Foto: Programa UN-REDD

O desmatamento na Mabira está relacionado à extração de lenha, já que mais de 90% da energia doméstica é proveniente de lenha e carvão vegetal. A colheita de madeira para construção e a conversão de terras para a agricultura também são responsáveis.

“Ajudamos com a conservação da floresta distribuindo informação pela comunidade e ressaltando sua importância, falando das florestas e sobre a importância de não desmatar, mas replantar e restaurar”, garante Noar Natolo, uma tecelãs da comunidade de Nagoje, localizada na floresta de Mabira.  Para complementar a renda, ela coleta folhas de palmeiras e tece tapetes que posteriormente serão tingidos com produtos naturais. “As florestas nos dão medicamentos, ar de qualidade e chuva, tudo muito importante. Em troca, a Autoridade Florestal Nacional permite que possamos recolher lenha seca, água e ervas medicinais para uso doméstico em determinados dias. Antes, a Autoridade Florestal Nacional era uma espécie de inimigo, mas agora, nos últimos dez anos, temos tido uma ótima relação.”

Noar Natolo e Scovia Bulyaba Foto: Programa UN-REDD

A Autoridade Florestal Nacional também forneceu à comunidade colmeias e mudas para plantio. “Eles nos uniram como uma comunidade”, acrescenta Natolo.

UN-REDD foi criado em 2008 como um programa colaborativo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) e o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP).

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