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Guilherme Canever, em busca de destinos invisíveis

O engenheiro florestal Guilherme Canever é aficcionado por África desde pequeno quando via fotos de viagens feitas pelo avô. Aos 42 anos, ele lança o livro “Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África” onde conta algumas de suas últimas experiências pelo continente africano. Aventureiro nato, ele costuma contar suas peripécias mundo afora através da litetatura e também na Internet. Por mundo fora entenda 130 países registrados em quatro livros. 

O primeiro livro sobre o continente africano, “De Cape Town a Muscat – Uma aventura pela África”, foi publicado há dez anos. Daí sentiu necessidade de publicar uma nova obra com as aventuras vividas no últimos anos. Nas páginas do seu livro, não espere destinos convencionais, caminhos fáceis nem coisas encontradas facilmente nos guias de viagem disponíveis por aí. O termo “destinos invisíveis” consegue sintetizar a verve aventureira de Guilherme.

À ATLANTICO, ele conta um pouco desses lugares, quais foram as experiências mais marcantes e qual será seu próximo destino.


ATLANTICO – Você visitou 18 países e percorreu 20 mil quilômetros. Em quanto tempo essa viagem foi feita?
Guilherme Canever – O nome do livro é “uma nova aventura pela África” porque esse livro foi lançado exatamente dez anos depois da minha primeira viagem pela África. Em 2009 eu fiz uma viagem entre a África do Sul e o Djibouti que durou mais de seis meses. Nessa primeira viagem eu visitei 15 países e contei a experiência em um livro. Lancei outros livros de viagem mas sempre quis voltar para a África.  No final do primeiro livro eu falava que meu sonho era percorrer a parte oeste do continente. Mas eu não tinha como fazer uma viagem parecida com a anterior. Na época eu tirei um ano sabático e pude visitar os destinos com calma. Agora estou casado e tenho filhos. Então esse segundo livro foi feito em etapas. Foram seis viagens diferentes entre 2015 e 2018. Em cada uma delas eu ia de dois a cinco países. 

“Eu acho que a África é muito pouco divulgada. Temos uma visão muito eurocêntrica no Brasil e isso é um absurdo”.

ATLANTICO – Então é uma coletânea das suas viagens. Que lugares mais chamaram sua atencão? 
Guilherme Canever – Uma viagem que gostei bastante foi para a Argélia, que eu já quase não considero um “destino invisível” porque ele já recebe bastante turistas.  Mas mesmo assim eu achei que deveria colocar no livro. Eu gosto de documentar o máximo minhas viagens para o continente africano porque eu acho que tudo é muito subvalorizado  e subnoticiado. Também coloquei Lesoto, Suazilândia e Zimbábue, que são países que eu não tinha ido nas viagens anteriores.

ATLANTICO – Esse título de “destinos invisíveis” se deve a quê? 
Guilherme Canever – Eu acho que a África é muito pouco divulgada. Temos uma visão muito eurocêntrica no Brasil e isso é um absurdo. Apesar de termos sido colonizados por portugueses e diversos outros povos europeus, a  influência da África no Brasil é gigantesca e isso é esquecido inclusive nos livros de história. Eu chamo de destino invisível primeiramente por conta da questão do turismo. Muitos desses países que eu visitei recebem menos de 50 mil turistas por ano. E isso é muito pouco. É uma África invisível para a indústria do turismo, que cresce absurdamente.  Então eu queria não só matar minha curiosidade de querer visitá-la como também poder divulgar um pouco do que eu vi e do que eu aprendi por lá.

+ “Uma viagem pelos países que não existem” e “De Istambul a Nova Délhi: Uma aventura pela Rota da Seda” são os outros livros de Guilhrme.

ATLANTICO – Basicamente você é um aventureiro e não um turista comum…
Guilherme Canever – Eu faço uma viagem independente onde eu priorizo aprender e ter interação com o local. Então eu fujo um pouco do turismo tradicional. Em alguns desses países já é possível fazer um turismo um pouco mais tradicional mas eu acabei optando por não fazer. Aí começa a aventura. Em alguns casos é difícil de procurar quais são os atrativos de cada país. Você realmente precisa descobrir. Eu, por exemplo, fiquei hospedado na casa de pessoas que eu acabei conhecendo nessas viagens e que me levavam para alguns lugares diferentes e isso me facilitou muito. 

ATLANTICO – Então você está criando um guia de turismo para as outras pessoas. Que outros lugares você descobriu que está além dos guias?
Guilherme Canever –  Me falaram, por exemplo, que Burkina-Faso não tinha tanta coisa interessante para ver. E eu achei um país fantástico!  Você tem Tiebele, que é uma cidade toda pintada, muito interessante. Você tem a mesquita em Bobo-Dioulasso. Tem as mesquitas de Bani, bem no Sahel adentro, a região de Banfora,  os picos de Sindou. Num país você tem diversos povos, línguas e costumes diferente. Descobri a cidade de Agadez, no Níger. Você estar lá ao lado dos tuaregues e vê-los chegar… é incrível. Também tem o mercado de Segunda-Feira, em Djenné, no Mali… 

+ Em 2015, Guilherme viajou por 16 países não reconhecidos pela ONU, como Ossétia do Sul, Transnítria, Somalilândia, Abecássia e Nagorno-Karabakh.

O Livro Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África está disponível em Português na Amazon.

ATLANTICO – O que as pessosa precisam saber sobre a África comtemporânea? 
Guilherme Canever – A África ainda é muito ligada ainda à pobreza. No meu primeiro livro, eu escrevo sobre lugares que me surpreeendaram como Addis-Abeba e Nairóbi. Etiópia e o Quênia estavam crescendo já em 2009. Acra e Dakkar também são cidades grandes com muita coisa acontecendo. Mas isso é pouco divulgado e fica estereotipado. Aqui no Brasil a gente fala “África” sem levar em conta a peculiaridade de cada lugar. Isso acontece pela falta de conhecimento. Também se fala muito em relação à segurança, por conta de algumas guerras localizadas. Fui para 35 países. Tem algum recorte de um lugar que tenha algum conflito, assim como no Brasil. A infraestrutura fora das capitais também acaba prejudicando muitos vezes a experiência dos turistas. Não é diferente do que nós temos no Brasil: para se ter serviços de qualidade se paga muito caro. Essa questão do custo acaba atrapalhando também.

A infraestrutura fora das capitais também acaba prejudicando muitos vezes a experiência dos turistas

ATLANTICO – Quais são suas próximas viagens? Como vai ser agora que você tem filhos? Vai levá-los junto?
Guilherme Canever – Estamos indo com  família toda para Cabo Verde no  Revéillon. É a estreia deles no continente africano. Meu filho já tem quatro anos e minha filha terá 9 nove meses quando viajarmos. 


ATLANTICO – Você é um aficcionado por África. Como começou essa paixão?
Guilherme Canever – O meu avô ele era um pesquisador e professor universitário que fez muitas viagens pela África nas décadas de 60 e 70. Eu cito ele  nos meus dois livros. Como geólogo ele foi estudar toda a região costeira do oeste africano para prospeccãoo de petróleo, a movimentação das dunas e as derivas dos continentes. Essas viagens aconteceram antes de eu nascer. Mas eu lembro de quando eu era bem pequeno ele passava em casa alguns slides fotos dessas viagens. Ele falava com muito amor, muita paixão e mostrava todas as curiosidades que aconteciam junto com as pesquisas. E isso me marcou muito. Conheci a África muito cedo.

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