Morre o pesquisador Fernando Arenas, referência em estudos culturais sobre África Lusófona

Faleceu nesta quarta-feira (30) o pesquisador Fernando Arenas. Ele é considerado um dos maiores especialistas dos Estados Unidos na produção cultural contemporânea da África de língua portuguesa.

Arenas foram diagnosticado com um tumor cerebral em 2018. Ele deixa seu parceiro, David, e outros membros da família. Ensinou na Universidade de Minnesota e, mais tarde, na Universidade de Michigan, no Departamento de Estudos Afro-Americanos e Africanos. “Ele era um estudioso maravilhoso da cultura lusófona, especialmente de cinema, literatura e cultura, publicando muitos artigos e livros”, escreveu a colega Kathleen Sheldon, em uma comunidade on-line de pesquisadores.

A tradução para o português de seu livro mais recente, “África Lusófona – Além da Independência”, foi lançada há alguns dias no Brasil pela Editora USP (Edusp).

Capa da edição brasileira do livro
Capa da edição brasileira do livro

O livro apresenta, segundo o autor, “uma visão caleidoscópica” dos cinco países africanos lusófonos (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe). Para tanto, ele investiga aspectos da música popular, do cinema e da literatura e faz uma associação com os fenômenos ligados ao pós-colonialismo e à globalização.

“Na era pós-marxista, o cinema continua a proporcionar uma plataforma para investigação das consequências da guerra civil, das vicissitudes da nação e do horizonte de potencial nas vidas captadas na tela, por meio de filmes de Flora Gomes, Licínio Azevedo, Zezé Gamboa e Maria João Ganga”, relata.

O autor também afirma que desde a independência a literatura na África continua a ser um bastião de consciência crítica face às persistentes desigualdades socioeconômicas e expectativas políticas não cumpridas, citando escritores angolanos como Manuel Rui, Pepetela e Ondjaki.

Fernando Arenas
Fernando Arenas

Na obra, ele fala ainda sobre a música cabo-verdiana, que, a partir de Cesária Évora e da nova geração de artistas, atraiu a atenção mundial, trazendo prestígio a essa pequena nação da África, com efeitos positivos na cultura e na economia do país.

“África Lusófona tem como objetivo levar as discussões para além dos relatos heroicos das lutas de libertação e para além das abordagens acríticas e excessivamente cuidadosas em torno das elites políticas de países como Angola e Moçambique, que têm predominado nas ciências humanas, sobretudo no campo dos estudos literários”, destaca Arenas.

+ Fernando Arenas também é o autor de “Utopias of Otherness: Nationhood and Subjectivity in Portugal and Brazil” (Universidade de Minnesota Press, 2003) e co-editor, junto com Susan C. Quinlan, de “Lusosex: Sexuality and Gender in the Portuguese-Speaking World” (Universidade de Minnesota Press, 2002).


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