O avanço dos BRANCHLESS bank no Brazil

Com mais de 800 lojas, a rede de farmácias Pague Menos lidera o segmento no Brasil. Criada em 1981, a empresa inovou ao oferecer, além de remédios, alguns tipos de alimentos e serviços de conveniência. Um desses serviços é o recebimento de contas bancárias. A iniciativa, até então uma novidade para as pessoas, foi essencial para garantir a projeção da empresa nas suas primeiras décadas de existência. “A farmácia estava iniciando. Era uma forma de mostrar um serviço diferente para a comunidade. Para os credores, isso foi ótimo porque quanto mais pontos de atendimento para receber as contas, menor a possibilidade de inadimplência” conta Armando Caminha, diretor presidente da Pague Menos Serviços, empresa criada em 1996 pelo Grupo Pague Menos com o objetivo de operacionalizar o recebimento de contas. O sucesso do serviço fez com que os consumidores passassem a reconhecer as lojas Pague Menos não só como uma rede de farmácias mas sim como locais para o pagamento das contas do dia a dia.

Criado em 1989, o serviço só foi regulamentado pelo Banco Central do Brasil anos depois, em 1995. “Fomos convidados a participar dos primeiros estudos. A ideia central é a prestação de serviço para a comunidade e fidelização dos clientes. Isso era o grande mote e foi o que efetivamente prevaleceu. Com a evolução, nós crescemos muito e passamos a ser referência não só aqui no Brasil. Já demos palestras na Venezuela e na Colômbia. O próprio modelo argentino de correspondente bancário é muito semelhante ao nosso”, explica Caminha.

Serviços bancários sem agência, o chamado brenchless banking, é uma tendência mundial. A estratégia dos bancos e regulamentada pelos governos permite complementar uma rede de agências com outros canais, para que as pessoas tenham acesso a serviços financeiros e bancários. Em um país com grandes dimensões territoriais, a modalidade é essencial para promover a chamada inclusão financeira. Segundo dados da Febraban, a Federação Brasileira dos Bancos, o número de contas bancárias ativas passou de 83 milhões para mais de 103 milhões nos últimos cinco anos. E a taxa de adultos bancarizados cresce ao ritmo de 8% ao ano nos últimos dez anos. Hoje, seis em cada dez brasileiras e brasileiros têm conta em banco. Outros 20% utilizam-se com regularidade dos diversos serviços oferecidos pelo sistema bancário.

O sistema financeiro é um dos maiores empregadores do País. A rede bancária conta com um pouco mais de 23 mil agências em funcionamento. Já a rede de correspondentes bancários ultrapassa 376 mil unidades. São agências dos Correios, supermercados, casas lotéricas e outros estabelecimentos comerciais que prestam alguns serviços básicos que poderiam ser oferecidos pelas agências bancárias.

Os dois principais bancos públicos do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, possuem uma extensa lista de correspondentes bancários. Na Caixa, o serviço começou em 2002. Atualmente, o banco possui 29.029 correspondentes, sendo 13.225 unidades lotéricas. A administração das casas lotéricas, serviço público exclusivo da União, foi delegada à Caixa Econômica Federal em 1961. A partir de então, o banco tem atuado na qualificação do atendimento e na modernização dos produtos lotéricos e da sua rede de vendas. “Em termos percentuais, no primeiro semestre de 2015, cerca de 37,5% do volume de negócios da empresa foi realizado pelas Unidades Lotéricas e pelos correspondentes, demonstrando a importância desses canais nos resultados da Caixa”, revela Cleverson Tadeu Santos, superintendente nacional de Operações do Varejo da Caixa.

A rede de lotéricas responde por 61% das transações financeiras do Brasil e por 55% dos negócios dos correspondentes bancários. Mesmo assim, banco continua pensando em expandir a rede. “A Caixa realiza estrategicamente constantes estudos de viabilidade para a inclusão de novos Correspondentes pelo país”, revela o executivo. No Banco do Brasil, a atuação por meio de correspondentes iniciou-se em 2001, no conceito de canal alternativo e complementar. Para a identificação dos pontos de atendimento dos correspondentes, foi criada a marca Mais BB. A rede do Banco do Brasil possui atualmente 14,5 mil pontos de atendimento espalhados pelo País, abrangendo todas as regiões do Brasil.

Só no segundo trimestre de 2015, foram realizadas 89 milhões de transações na Rede Mais BB, representando aproximadamente 33% de todas transações de caixa processadas pelo banco no período. No mesmo período, os correspondentes responderam por 45% das operações de crédito imobiliário, sendo que sua participação atinge cerca de 60% nas linhas destinadas ao público de menor renda. Além disso, o canal formado pelos correspondentes responde por 12% do crédito pessoal contratado no Banco. Um outro importante player brasileiro do setor é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A estatal, presente em 94% dos municípios brasileiros, criou o Banco Postal.

Em março de 2002, foi inaugurada no Estado de Minas Gerais a primeira das mais de 6 mil agências a funcionar como Banco Postal. A primeira parceria dos Correios com uma instituição bancária para possibilitar a execução dos serviços do Banco Postal foi firmada com o Banco Bradesco por um período de dez anos e alcançou a marca de mais de 11 milhões de contas abertas. Em 2011, para prestar o serviço de correspondente, os Correios realizaram um novo processo seletivo que resultou em uma parceria com o Banco do Brasil.

As parcerias entre os correspondentes e as instituições bancárias são previstas em lei. O Grupo Pague Menos, por exemplo, já foi parceiro do banco anglo-holandês ABN-Amro e hoje trabalha com os bancos Bradesco e Santander, além da Western Union, líder no setor de transferência global de dinheiro. Contudo, o serviço de correspondente bancário já não representa tanto para o grupo como antigamente.

A empresa, que registrou um faturamento de R$ 4,3 bilhões em 2014 e que possui mais de 800 lojas em todos os estados brasileiros, tem hoje apenas cerca de 100 lojas com o serviço de recebimento de contas. O presidente da Pague Menos Serviços, Armando Caminha, explica que, para o grupo, o serviço é oferecido apenas em algumas lojas porque atualmente ele é mais um benefício em meio a muitos existentes na estratégia de marketing da empresa. “É preciso considerar todos os riscos de segurança, gastos com tesouraria, energia, pessoal. Eu insisto em dizer que é mais uma prestação de serviços para a comunidade do que propriamente um serviço para geração de receita”, afirma. Se ele cobrir os custos envolvidos, já é mais do que suficiente. O importante mesmo é trazer clientes para a loja. Talvez seja esse o grande mote. O cliente vai lá pagar um conta e acaba comprando alguma coisa”, explica o presidente da Pague Menos Serviços. “É uma tendência que não dá mais para reverter”, aponta.

O NÚMERO DE CONTAS BANCÁRIAS SALTOU DE 83 MILHÕES PARA 103 MILHÕES EM 5 ANOS

INCENTIVO GOVERNAMENTAL

A forte presença de empresas do governo brasileiro no processo de democratização dos processos bancários mostra os esforços do governo brasileiro como um dos grandes apoiadores no crescimento desse canal de serviços e na distribuição de serviços financeiros. A operação de correspondentes bancários é regulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e suas regras de transação e operação são definidas por resoluções específicas.

TANZÂNIA CONHECE O MODELO

Em busca de exemplos de sucesso no Brasil, representantes do banco tanzaniano DCB Commercial Bank Plc visitaram em agosto de 2015 diversas instituições bancárias nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. A atividade, organizada pelo Instituto Brasil África, contou com visitas técnicas guiadas em instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES, Banco Comunitário do Preventório de Niterói, Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Banco do Brasil, Banco Palmas, Banco Postal e Caixa Econômica Federal. No final de sua estadia no Brasil, o Presidente do Banco DCB Commercial Bank Plc, Edmund Pancras Mkwawa elogiou o avanço das diversas experiências apresentadas à sua comitiva no âmbito dos serviços bancários, ao mesmo tempo em que expressou o desejo de contar com a ajuda de instituições do Brasil para ampliar a capilaridade de sua banco em diversas cidades da Tanzânia.

 

 

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