O dia internacional da África no Brasil

Em 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional de África, como memória pela luta dos povos do continente africano por sua emancipação e independência. A data escolhida, 25 de Maio, coincide com a criação da Organização da Unidade Africana (OUA) de 1963 em Addis Abeba, Etiópia, órgão de integração regional constituído por representantes de 32 governos de países africanos independentes. O órgão foi sucedido posteriormente pela criação da União Africana de Nações. Promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos e defender a soberania, integridade territorial e independência dos estados africanos e erradicar todas as formas de colonialismo da África constituíam pilares da OUA que subsidiam as razões de sua memória em todo mundo, inclusive no território brasileiro. A Constituição brasileira de 1988 elenca como princípios de suas relações internacionais a autodeterminação dos povos e a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, nitidamente orientando um Estado capaz de fomentar solidariedade e prevalência de valores compatíveis com uma África livre. Celebrar o dia 25 de Maio no Brasil já seria suficiente por essas razões, mas na verdade há muito mais entre Brasil e África do que supõe ‘o mar que nos separa’. A história partilhada desde o deslocamento forçado de povos africanos ao Brasil, sua memória, cultura, saberes e conhecimentos se hibridizaram com as culturas dos povos que aqui habitavam. Hoje, mais em pauta do que nunca se discutem os direitos e políticas públicas específicas para os povos afrodescendentes, especialmente quanto ao combate ao racismo, reparação ao povo negro e direito ao exercício de suas manifestações culturais. Neste contexto, esta data deveria servir para celebrar as riquezas trazidas pelo povo africano ao Brasil e servir como base de reflexão para parcerias e cooperações futuras. O dia da África deve trazer a lembrança dos brasileiros uma visão mais otimista e realista sobre o continente africano: a pobreza extrema está em declínio, a renda está crescendo e tem havido avanços importantes contra doenças mortais. Vários países africanos estão entre as economias que mais crescem no mundo, desafiando a recessão global, o que redunda na chegada de mais investidores internacionais ao continente. A trajetória geral da África é clara. Os africanos estão escrevendo uma nova narrativa de sua história.