O homem que se quer Sapiens

A vida é cheia de símbolos! É o caso de uma biblioteca e de uma livraria que têm o livro como objeto principal de suas existências. No entanto, na livraria acontece um algo intangível, apesar de mensurável: o ato da compra de um livro pelo leitor, ao invés da aquisição de outros objetos, alguns menos nobres como bilhetes lotéricos. Outro símbolo forte é a bola de tênis. Jogos de tênis estão mais para Wall Street do que para Greenpeace, convenhamos. Mas como a bola que “apedreja pode ser a mesma que afaga”, no jogo de frescobol temos, igualmente, duas raquetes e uma bola. Ao contrário do tênis, o sucesso do frescobol está na colaboração, na solidariedade do passe, na torcida para que o outro também acerte. Mas os símbolos não se restringem ao cotidiano. Na árvore da vida desenhada no século 18 por Darwin em “On the Origin of Species” há evidências mais para um disputado jogo de tênis do que para um ingênuo frescobol. Seria a competição uma marca da natureza humana? Em assim sendo, como enquadrar na lógica darwiniana a professora Heley Abreu Batistade Minas Gerais que, recentemente, deu sua vida para salvar 28 crianças? O que leva um terráqueo a dar sua vida pelo outro? Em “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, Yuval Harari argumenta que o Homo Sapiens dominou o mundo porque é o único animal capaz de cooperar de forma flexível e o faz por ser a única espécie que acredita em coisas de sua imaginação, tais como deuses, nações, dinheiro e direitos humanos. Apesar de instigante, o best-seller de Harari, não faz ilação da sua teoria com a história de milhares de terráqueos que, a exemplo da professora Heley, tomam decisões que transcendem a lógica competitiva da seleção natural, dando melhor sentido à nossa efêmera passagem pelo planeta azul de Newton. Não estando esta questão do “tênis x frescobol” filosoficamente resolvida, nem pelo evolucionismo científico e muito menos pelo criacionismo religioso, como ficamos? Retornando aos simbolismos que nos cercam, existe uma luz no final do túnel neste imbróglio, a única talvez: educação de excelênciados jovens de hoje para uma possibilidade no amanhã. Educar seus jovens é um símbolo de forte conotação política, coisa de líderes, as vezes do povo, certamente dos dois. E quando isso acontece, teremos escutado as entrelinhas de Edward Murrow:“uma nação de ovelhas gera um governo de lobos”! Cada comunidade, cada cidade, cada país depende muito da educação de seus jovens para que “jogos de tênis cedam mais espaço ao frescobol” e a realidade seja mais digna do homem que se quer sapiens.

“SERIA A COMPETIÇÃO UMA MARCA DA NATUREZA HUMANA.”