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Projetos da Guiné-Bissau e Brasil recebem prêmio da ONU para meio ambiente

Programas para o meio ambiente desenvolvidos por comunidades nativas em Guiné-Bissau e Brasil receberam um prêmio da ONU. Os projetos ganharam destaques ao envolver a população local e povos indígenas, e receberam o Prémio Equador, que distingue soluções inovadoras para enfrentar os desafios da mudança climática. O prêmio foi entrega à  Associação Indígena Kisêdjê, ao Conselho Indígena de Roraima, do Brasil, e ao conselho de gestão da Área Marinha Protegida Comunitária (AMPC) Urok, da Guiné-Bissau.

A entrega aconteceu em gala em Nova Iorque e é a primeira vez que uma iniciativa do país africano leva o prêmio. “Cada dia, milhares de comunidades locais e povos indígenas de todo o mundo implementam silenciosamente soluções inovadoras baseadas na natureza para mitigar e se adaptar à mudança climática”, disse, em nota, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Achim Steiner.

Comunidades Nativas e Meio Ambiente

O Pnud destacou o trabalho feito pelo projeto de Urok, um grupo de três ilhas no arquipélago das Bijagós. O conselho utiliza o conhecimento tradicional para proteger 54,5 mil hectares de ecossistemas marinhos e de mangais críticos para mitigar as alterações climáticas, reduzir a erosão costeira e assegurar meios de subsistência sustentáveis para os povos indígenas da região.

“A comunidade de Urok, as estruturas de gestão local e as instituições de conservação que apoiaram este processo estão de parabéns pela visão, crença e espirito de compromisso”,  destacou Miguel de Barros, diretor executivo da associação de defesa do ambiente Tiniguena e membro do Comité de Gestão da AMPC Urok. 

Barros lembrou que o processo começou em 1999 “com muito esforço”, foi oficializado em 2006 e “culminou com a construção de um ‘laboratório de resiliência’ portadora de esperanças para o país e de ensinamentos para o continente e o mundo.”

Associação Indígena Kisêdjê Foto: ONU

No Brasil, a Associação Indígena Kisêdjê fica no estado de Mato Grosso, que o Pnud considera “um dos estados mais desflorestados do Brasil.” A agência da ONU diz que esta associação de povos indígenas “transformou o status quo recuperando suas terras tradicionais e desenvolvendo um modelo de negócios inovador que utiliza o pequi, uma árvore nativa, para restaurar paisagens, promover a segurança alimentar e desenvolver produtos para o mercado local e nacional.”

Quanto ao Conselho Indígena de Roraima, o Pnud diz que esta aliança indígena garantiu os direitos de 1,7 milhão de hectares de terras tradicionais para 55 mil povos indígenas. Ao mesmo tempo, promove a resiliência ecológica e social por meio da conservação de variedades tradicionais.

O Prêmio

O prémio, que existe desde 2002, já foi entregue a vencedores do prémio Nobel, como Al Gore e Elinor Ostrom, os ambientalistas Jane Goodall e Jeffrey Sachs, os filantropos Richard Branson e Ted Turner e as celebridades Edward Norton, Alec Baldwin e Gisele Bündchen. Os vencedores foram selecionados de um grupo de 847 candidatos de 127 países.

A cerimônia aconteceu em uma gala em Nova Iorque. Participaram o administrador do Pnud, Achim Steiner, a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Inger Andersen, e os atores Oona Chaplin e Nikolaj Coster-Waldau.

Segundo Achim Steiner, o Prémio é um reconhecimento dessas ideias e uma forma de mostrar o poder das pessoas e das comunidades para conseguir uma mudança verdadeira.

Em 2019, o, Pnud, destacou 22 soluções inovadoras e baseadas na natureza para enfrentar os desafios da mudança climática, meio ambiente e pobreza.

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