Turismo em ritmo de aventura

(Tsitsikamma National Park (South Africa Tourism)

Com o slogan “um uau a cada instante” (“a wow in every moment”, na versão em inglês), o governo sul africano iniciou uma campanha para captar novos turistas. A onomatopéia “uau” não foi pensada por acaso. A ideia é chamar atenção para os esportes radicais. “O turismo de aventura é o principal atrativo para quem quer ir à África do Sul. São mais de 700 esportes no país”, destaca Diogo Caldeiras, da filial brasileira do South African Tourism (SAT), escritório responsável por divulgar o destino.

A África do Sul lidera o mercado turístico africano, uma indústria que movimenta 44 bilhões de dólares por ano, de acordo com um relatório sobre o potencial turístico do continente publicado em 2015 pelo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), Universidade de Nova York e Africa Travel Association (ATA). Apesar da instabilidade política e da falta de desenvolvimento da infraestrutura, como fornecimento intermitente de eletricidade que torna a estadia incômoda para os turistas, todo o continente africano tem potencial para desenvolver o turismo de aventura.

Haroldo Castro (Arquivo Pessoal)

O PREÇO DA AVENTURA

“A conta é simples: quanto menos infraestrutura um destino tiver, mais cara é a aventura. Mas, acredite, existe mercado para experiências únicas”, aposta o fotógrafo brasileiro Haroldo Castro, que organiza safáris fotográficos com pessoas que se interessam por lugares inóspitos do continente africano. São formados grupos entre cinco a dez aventureiros dispostos a pagar entre 4 a 100 mil dólares dependendo do tipo de viagem, que pode durar até duas semanas. “O custo dos hotéis com segurança e qualidade acaba sendo caro”, explica Haroldo. Mas ele garante que a infraestrutura em geral vem melhorando. “A cada ano tem hotéis novos. As pessoas estão sendo cada vez mais treinadas. Eu diria que está tendo um crescimento de quantidade e de qualidade. Isso vai acontecendo à medida que os países vão se desenvolvendo”.

Um outro fator importante para reduzir o valor da conta final é o custo com a logística. Países com mais linhas áreas disponíveis naturalmente possuem opções mais econômicas de pacotes turísticos. A África do Sul, por exemplo, recebeu 40 mil brasileiros em 2016, um número 40% maior que o registrado em 2015. “Com o lançamento do voo da Latam para Joanesburgo, a procura pelo país cresceu muito. Primeiro porque os brasileiros se identificam com a companhia, e depois porque as passagens ficaram muito baratas. O destino tem um custo muito atrativo, o que faltava era um meio de chegar até ele com tarifas mais baratas”, conta Tatiana Isler, da SAT.

AVENTURAS QUE NÃO TÊM PREÇO

Alheios às infraestruturas oferecidas pelos diversos países africanos, alguns aventureiros resolvem definir como metas enfrentar alguns dos desafios radicais existentes África afora. Os motivos são os mais variados possíveis: bater recordes, superar adversários ou uma simples realização pessoal. É o caso do montanhista brasileiro Rosier Alexandre, que começou a escalar montanhas geladas em 2004 e há poucos meses finalizou um projeto pessoal chamado Sete Cumes, que consistiu em escalar a maior montanha de cada continente.

De passagem pela Tanzânia em 2011, quando foi escalar o Monte Kilimanjaro, Rosier se surpreendeu com a estrutura do país para receber turistas. “Além dos atrativos turísticos, os hotéis são bastante confortáveis. Era bastante comum você encontrar guias bilíngues e alguns que falavam até três idiomas, dando informação com bastante qualidade”, lembra.

Já para a kitesurfista Carla Lima, cada visita ao continente africano é uma experiência única. “Sem nenhuma sombra de dúvida, é o meu continente preferido. Eu me transformo como ser humano e volto muito melhor para o Brasil”, comenta. “A África sempre me surpreende pela pureza das crianças, pela receptividade do povo local, pelas águas cristalinas e completamente virgens”.

Em 2016, Carla foi desafiada a percorrer, ao lado dos colegas André Penna e Cedric Schmidtz de kitesurfe um trecho entre Moçambique e Tanzânia, num percurso de 1.000 quilômetros no mar. A aventura foi registrada no programa de televisão “Downwind na África”, exibido no canal fechado Off, da Globosat, dedicado aos esportes radicais. “Eu já tinha ido ao Marrocos, Gana, São Tomé e Príncipe e Angola, mas dessa vez fui em busca do desconhecido em todas as atmosferas. Fui como personagem, tendo que expor tudo o que se passava comigo”, relata. Apesar de não se considerar uma aventureira, Paula Pereira costuma passear de camelo pelo deserto e pelas cidades imperiais no Marrocos. Segundo ela, o país dispõe de uma ótima estrutura para os turistas. “Eles possuem uma Polícia Turística bastante atuante e atenta a qualquer problema relacionado à segurança”, conta. “De uma forma geral, o Marrocos é bastante seguro em todos os aspectos”.

CRESCIMENTO EM POTENCIAL

O turismo de aventura atrai clientes de alto valor, apoia as economias locais e incentiva práticas sustentáveis. É um segmento de nicho, mas está ganhando popularidade em todo o mundo. A presença de todas as formas do recurso natural faz da África um destino holístico para todas as formas de turismo, especialmente para o turismo de aventura. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), a África é o segundo destino turístico de mais rápido crescimentoao lado do Sudeste Asiático. Dados do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) apontam que Egito, Marrocos e a Costa do Marfim são os países com maior afluxo de turistas internacionais para o turismo de aventura no continente. Lesoto, Chade, Mali, Sudão e Madagáscar são os destinos de mais rápido crescimento para o turismo de aventura em África. “O turismo mostrou extraordinária força e resiliência nos últimos anos, apesar de muitos desafios, particularmente aqueles relacionados à segurança”, diz o jordaniano Taleb Rifai, secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (UNTWO).

“No entanto, as viagens internacionais continuam a crescer fortemente e contribuem para a criação de emprego e bem-estar das comunidades em todo o mundo”. Segundo a organização, a África como um todo mostrou uma forte recuperação após dois anos fracos, atormentados pela pandemia do Ebola e por ataques terroristas localizados. O continente recebeu 58 milhões de turistas, um notável crescimento de 8% a partir de 2015, à frente de outras regiões.

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