A economia criativa foi o tema central da segunda sessão do 6° Fórum Brasil África, realizada nesta quinta-feira (22). Com mediação da jornalista da TV Bahia, Camila Marinho, o debate contou com a participação de Paulo Rogério Nunes, CEO do Vale do Dendê; Monica Monteiro, CEO do CINEGROUP; Márcia Ganem, CEO do Ateliê Márcia Ganem; Igor Juaçaba, CEO da Elephant Coworking e Nina Silva, Fundadora do Movimento Black Money.

Dando início à discussão, Paulo Rogério Nunes falou sobre o momento atual da economia criativa, com o surgimento de serviços a partir da criatividade transformada em novos negócios. Na Bahia, no ponto de vista do empresário, existe um imenso potencial que não era reconhecido. A partir deste reconhecimento, o objetivo é fazer de Salvador uma cidade global, conectada com um mercado que tem uma ligação profunda com a África. “A conexão Brasil África só irá acontecer, efetivamente, quando a parte interessada no Brasil, os afrodescendentes que entraram em universidades e querem fazer comércio com a África, forem ouvidos neste diálogo”, pontuou.

Para Mônica Monteiro, que está no continente africano há 12 anos, à frente da empresa CINEGROUP, há muito que se estimular do outro lado do atlântico. De acordo com a empresária, não existe melhor forma de fazer negócio que não seja conhecendo o país onde se está inserido.

Por sua vez, Márcia Ganem sugeriu o investimento em uma economia que abrace as pessoas e a cultura de um modo geral. A estilista ressaltou que precisamos de uma lógica que não seja só capital, mas que tenha um foco direcionado para o desenvolvimento humano.

“Determinadas comunidades tradicionais vivem em condição de pobreza. O que há de novo na economia criativa é imaginar um design que dialogue com as nossas matrizes criativas tradicionais”. Segundo ela, na Bahia, a cultura seccionou o estado em territórios de identidade que, para além da moda, oferecem experiências de implementação de espaços de memória, contemplando todos os fazeres das comunidades. Isso gera um leque de alternativas e oportunidades de empreendimentos culturais.

Igor Juaçaba, CEO da Elephant Coworking, explanou sobre a maneira como as empresas trabalham na atualidade: mirando os países que estão acima e tentando copiar o que estão fazendo. Para o empresário, os países emergentes, em especial o Brasil e os países da África, têm uma grande oportunidade de fazer diferente dos modelos já existentes. Segundo ele, há recursos, autossuficiência e poucos países dispõem dessas mesmas condições. O ideal, diz, seria não copiar, mas fazer o que ainda não foi feito. “Uma das bases para isso vem da educação. O Brasil e a África são territórios grandes que acabam olhando muito para dentro, o que faz com que tenhamos uma limitação de abrangência de mercado e de conexões”.

Completando o time da última sessão da manhã, Nina Silva dialogou sobre a importância de se trabalhar com oportunidades reais para amparar a desigualdade, que gera números exorbitantes.

“Quando pensamos em pólos tecnológicos, pensamos em países orientais e esquecemos que toda tecnologia deve servir de impacto real na vida de um grupo. E essas tecnologias são criadas em espaços que não são inclusivos, não pensam com cabeças diversas. Os empreendimentos mais inclusivos em relação a gênero lucram 21% a mais, globalmente falando”, afirmou. De acordo com Nina, fundadora do Movimento Black Money, que incentiva o consumo da população negra brasileira, segundo os dados globais, empresas com maior diversidade étnico racial lucram 33% a mais.

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