O primeiro ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, foi anunciado hoje (11) como o vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Em comunicado oficial, o comitê responsável pela escolha destacou o trabalho de Ali  para “alcançar a paz e a cooperação internacional, e em particular por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a vizinha Eritreia”. O prêmio também destacou a importância de reconhecer os esforços dos envolvidos em manter a paz na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África.

Trajetória na Etiópia

Após ser eleito em 2018, o primeiro ministro passou a negociar a paz entre a Etiópia e a Eritreia. Em cooperação com Isaias Afwerki, presidente da Eritreia, Abiy Ahmed elaborou os princípios de um acordo de paz entre os países, os quais foram estabelecidos nas declarações que ambos assinaram no mesmo ano. Ali ainda aceitou a decisão da arbitragem de uma comissão internacional de fronteiras firmada em 2002, o que facilitou o processo do “Compromisso de Jeddah”, mediado pelas Organização das Nações Unidas, pela União Africana, pelos Emirados Árabes e pela Arábia Saudita. 

Além do acordo de paz com o país vizinho, Ali também passou seus primeiros 100 dias como primeiro-ministro levantando o estado de emergência do país, concedendo anistia a milhares de presos políticos, interferindo quanto a censura da mídia, legalizando grupos ilegais da oposição, demitindo líderes militares e civis suspeitos de corrupção e aumentando significativamente a influência de mulheres na vida política e comunitária da Etiópia. Ele ainda prometeu fortalecer a democracia, realizando eleições livres.

“Sua visão ajudou a Etiópia e a Eritreia a alcançar uma reaproximação histórica, e tive a honra de testemunhar a assinatura do acordo de paz no ano passado”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado. “Abiy deu um exemplo maravilhoso para outras pessoas dentro e fora da África que buscam superar resistências do passado e colocar as pessoas em primeiro lugar”.

Mediação de conflitos na África

O primeiro-ministro Abiy também se engajou em processos de paz e reconciliação no leste e nordeste da África. Em setembro de 2018, ele e seu governo contribuíram ativamente para a normalização das relações diplomáticas entre Eritreia e Djibuti, após muitos anos de hostilidade política. Além disso, Abiy Ahmed tentou mediar os conflitos entre Quênia e a Somália em relação aos direitos a uma área marinha disputada entre os países. No Sudão, o regime militar e a oposição retornaram à mesa de negociações. Em 17 de agosto, eles lançaram um esboço conjunto de uma nova constituição destinada a garantir uma transição pacífica para o domínio civil no país, e  Abiy desempenhou um papel fundamental nesse processo. 

Prêmio como incentivo à paz na África 

O comitê do prêmio Nobel admitiu que para muitos a honraria pode para muitas pessoas parecer ter vindo muito cedo, devido aos números crescentes de conflitos internos no país, mas acredita que “é agora que os esforços de Abiy Ahmed merecem reconhecimento e precisam de incentivo”, e espera que isso “fortaleça o primeiro-ministro Abiy em seu importante trabalho de paz e reconciliação”. Isso se deve ao papel, segundo ao comitê do Nobel, da Etiópia como o segundo país mais populoso do continente, e com a maior economia da África Oriental, sendo assim “uma Etiópia pacífica, estável e bem-sucedida terá muitos efeitos colaterais positivos e ajudará a fortalecer a fraternidade entre nações e povos da região”. 

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