No dia em que o presidente Jair Bolsonaro desembarca na Suíça para estrear no cenário internacional, com a participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente do Instituto Brasil África (IBRAF), Prof. João Bosco Monte, analisa, em entrevista realizada pelo jornal O POVO, as perspectivas traçadas pelo novo governo para a política externa brasileira.

Para Prof. Monte, a ida a Davos confere papel de destaque ao presidente Bolsonaro, especialmente pela ausência do presidente norte-americano, mas não deverá compensar a falta de definições para a política externa do novo governo até o momento. “Não tenho ainda a expectativa que, em um mês de governo, o presidente vai definir, mesmo estando em Davos, para onde o governo vai, porque a sua chancelaria também não fez essa leitura. O presidente escolheu um ministro (de Relações Exteriores, Ernesto Araújo) que não disse ainda para onde a política externa brasileira do governo Bolsonaro vai apontar”.

“O Brasil perdeu desde algum tempo o seu protagonismo regional, deixou de ser um ator importante nas discussões no contexto regional, da América do Sul e da América Latina

O presidente do IBRAF afirma que as indicações feitas pelo governo, “de que vai conversar com os Estados Unidos, vai conversar com Israel, vai conversar com o Chile, vai conversar agora talvez com a Argentina, com a visita recente do presidente Macri ao Brasil” não são suficientes para clarificar uma estratégia. “O presidente Donald Trump não tem pelo Brasil o mesmo amor que o presidente Jair Bolsonaro expressa pelos Estados Unidos. Se o governo do presidente Bolsonaro prioriza a relação com os Estados Unidos em detrimento de uma relação com a China, com o Mercosul ou com países africanos, isso pode trazer um grande problema. Os Estados Unidos não vão compensar esse distanciamento”.

Prof. João Bosco Monte (Sara Maia/ O Povo)

Para Prof. João Bosco Monte, a falta de definições poderá agravar prejuízos para o país, que vem perdendo o espaço de protagonista internacional nos últimos anos. “O Brasil perdeu desde algum tempo o seu protagonismo regional, deixou de ser um ator importante nas discussões no contexto regional, da América do Sul e da América Latina, e tinha no contexto africano um espaço de diálogo muito intenso durante o governo do presidente Lula, o que (também) se perdeu nos últimos anos. Isso não é (responsabilidade) do presidente Bolsonaro, mas dos que sucederam o presidente Lula. Eu acho que esse momento que nós estamos passando agora é muito delicado, porque nós não temos nenhuma liga internacional, nenhuma agenda internacional que faça com que o Brasil possa ser o protagonista”.

A análise completa feita pelo presidente do Instituto Brasil África pode ser acessada pelo link https://bit.ly/2RI1Qtc

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