Um relatório publicado na última semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra dados inéditos sobre migrantes irregulares que se mudaram da África para a Europa.

Para preparar o documento, intitulado Escalando Muros: Vozes de migrantes africanos irregulares para a Europa, a equipe do PNUD entrevistou 1.970 migrantes de 39 países africanos em 13 países europeus. Todos eles declararam ter chegado à Europa por meios irregulares e não por motivos de asilo ou de proteção.

O relatório conclui que conseguir um emprego não era a única motivação para se mudar e que nem todos os migrantes irregulares eram considerados pobres na África ou tinham níveis mais baixos de educação. Para dois terços dos entrevistados, o ganho ou a perspectiva de ganho em seus países de origem não os impediu de migrar. Os entrevistados também passaram pelo menos três anos a mais no sistema educacional do que seus pares em seus países de origem.

“O Escalando Muros destaca que a migração é um reflexo do progresso do desenvolvimento em toda a África, embora seja um progresso desigual e não rápido o suficiente para atender às aspirações de todos”, aponta o administrador do PNUD, Achim Steiner. Segundo ele, a falta de escolha ou as barreiras às oportunidades surgem como fatores  críticos para o cenário de migração desses jovens.

+ Esse é o segundo de uma série de relatórios do PNUD que documentam as jornadas das jovens e dos jovens africanas e africanos. O primeiro relatório da série explorou o que leva alguns migrantes aos braços do extremismo violento.

Mahamadou Sankareh, jovem da Gâmbia, que vive em Roma. Imagem: Lena Mucha (PNUD)

Alguns dados 

O relatório está disponivel em inglês e francês neste link: LEIA AGORA

Uma vez na Europa, dos que recebiam salário, a grande maioria (78%) estava mandando dinheiro de volta. Os entrevistados que recebiam na Europa estavam, em média, devolvendo um terço de sua renda mensal – o que, no entanto, representa 85% de sua renda mensal total em seus países de origem.

O relatório também verificou que a experiência de estar na Europa é diferente para homens e mulheres: a diferença salarial entre homens e mulheres na África se reverte profundamente na Europa, com as mulheres ganhando 11% a mais que eles – e em contraste com elas anteriormente recebendo 26% a menos, na África. Uma proporção maior de mulheres também estava enviando dinheiro de volta, mesmo entre as que não estavam sendo pagas.

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