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Bancos e fintechs aceleram a transformação digital na África

As altas taxas de crescimento, o aumento do consumo e o avanço para a criação da Área de Livre Comércio africana transformaram a África em um terreno fértil para a disputa de bancos e fintechs por clientes. Enquanto os bancos de varejo tradicionais buscam modernizar suas operações – tanto para reduzir custos operacionais como para conquistar mais clientes – as fintechs apresentam soluções simples, rápidas e inteligentes como alternativas para os serviços bancários.

Bancos tradicionais se modernizam 

Com 2,9 milhões de clientes no Egito e uma rede de 225 agências, o Banque du Caire anunciou uma parceria com a empresa suiça Temenos a fim de modernizar suas operações.  Com a parceria, o banco usará serviços de computação em nuvem para melhorar o atendimento aos clientes. “Isso nos permitirá transformar mais rapidamente, eliminar a complexidade e reduzir drasticamente nosso custo total de propriedade“, garante Amr El Shafei, vice-presidente executivo do banco. 

Especializada em software bancário, a Temenos possui mais de 50 clientes na África Oriental e atua há duas décadas na região. “O Egito está abraçando a revolução digital e vemos bancos de todos os portes embarcando em projetos de transformação digital”, conta Jean-Paul Mergeai, diretor-geral para o Oriente Médio e África da Temenos. “Acreditamos que as instituições financeiras só podem se tornar verdadeiramente digitais quando transformam suas operações de ponta a ponta”.

O caso é parecido com o do Bank of Kigali, o maior banco comercial de Ruanda com uma rede de 68 agências, 99 caixas eletrônicos, 1.427 agentes bancários e mais de 1.200 funcionários. Criado em 1966 e cliente da Temenos há três anos, o banco quer alcançar a marca de 1 milhão de clientes até 2021. Para isso, precisa conquistar o jovens e os sem-banco apostando nos serviços digitais.

“A nova plataforma de banco digital aberto nos permitirá ter uma compreensão mais profunda das necessidades de nossos clientes e nos permite oferecer a melhor experiência”, adianta Diane Karusisi, CEO do Bank of Kigali.

Sediado em Lomé, capital do Togo, o Ecobank atua em 36 países africanos. Entre seus diferenciais estão aplicativos para celular, uma conta corrente voltada para usuários sem acesso à Internet e uma plataforma online que permite enviar remessas transfronteiriças para a  África a um custo mínimo ou gratuito. Tudo isso foi essencial para que o Ecobank fosse eleito o melhor banco de varejo na África em 2019. “O modelo bancário tradicional está mudando e o Ecobank continuará a desempenhar um papel pioneiro no atendimento das necessidades bancárias de milhões de africanos”, revela Ade Ayeyemi, CEO do Grupo Ecobank.

Fintechs europeias  estão de olho na África

Empresas de outros continentes também estão de olho na transformação digital do continente africano. É o caso da companhia britânica WorldRemit. Líder na transferência de dinheiro digital, a empresa lançou em junho o WorldRemit for Business. O novo serviço permite que proprietários de pequenas e médias empresas paguem rapidamente funcionários e contratados em 140 países em todo o mundo, incluindo mercados africanos como Nigéria, Gana, Quênia e África do Sul.

Segundo a empresa, o Reino Unido importa anualmente cerca de US$ 2 bilhões em bens e serviços da Nigéria. E os pequenos e médios negócios representam 96% das empresas e 84% do emprego do território nigeriano. Para operar no país africano, foram necessárias parcerias como alguns bancos locais, como o First Bank of Nigeria, o Access Bank Plc e o Fidelity Bank Plc.

“Com mais pessoas se movimentando e se estabelecendo através das fronteiras, a natureza dos negócios está se tornando cada vez mais global. Esta nova oferta de produtos atende àqueles que precisam de um serviço digital que soluciona uma série de pontos problemáticos enfrentados pelas PMEs com funcionários e contratados internacionais“, acredita Shane Lennox, gerente de produto sênior para negócios da WorldRemit.

Uma outra empresa europeia que vem olhando com bons olhos para o crescimento africano é a holandesa PayU, que resolveu lançar operações no Quênia,  já com planos de expansão para Ruanda e Tanzânia.

Especializada em serviços de pagamento, a PayU começou sua operação em Nairóbi em fevereiro de 2019. “O Quênia é um mercado forte e crescente, ideal para investimento e expansão”, diz Corrie Bakker, chefe de estratégia e desenvolvimento de negócios da PayU na África.

A escolha do Quênia, segundo ela, se deu por vários motivos. Além de perspectivas de crescimento econômico forte e uma classe média em expansão, o mercado de pagamentos do país é dominado por transações móveis, com mais de 80% dos pagamentos feitos por carteiras digitais.  Além disso, a região da África Oriental deve crescer 5,9% em 2019, uma porcentagem significativamente maior do que o Norte de África (4,9%) e do Sul da África (1,2%), segundo estimativas do Banco africano de Desenvolvimento.

Bancos versus fintechs

União das palavras financial e technology, o termo fintech é usado para designar majoritariamente as startups que tentam inovar o sistema financeiro. Essas empresas possuem custos operacionais muito menores se comparadas às instituições tradicionais do setor.  “Sem dúvida, as fintechs representam o setor mais dinâmico em termos de investimentos em tecnologia e ainda estamos para ver verdadeiramente o impacto transformador que esse setor pode ter”,  comenta Omar Ben Yedder, editor da revista African Business, que realiza anualmente o African Banker Awards, que reconhece as melhores instituições bancárias.

+ A segunda edição do Congresso de Transformação Digital (#DTC2019) acontecerá no dia 30 de julho de 2019 no Centro de Convenções de Sandton, em Joanesburgo. Mais informações no site do evento: (www.DigitalTransformationCongress.com)

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