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Cape Town: o dia zero para o colapso hídrico

Após três anos de seca, em 2018, a Cidade do Cabo, na África do Sul, enfrentou uma crise hídrica sem precedentes. Com o risco eminente de se tornar a primeira grande metrópole do mundo a ficar sem água, a cidade tomou várias medidas para contornar a crise. 

O governo sul-africano então estabeleceu o Dia Zero para 16 de abril de 2018. Nesta data, toda a distribuição de água seria interrompida para casas e comércio, com exceção de hospitais, escolas e algumas poucas instituições fundamentais ao funcionamento da cidade. Depois disso, os habitantes teriam de buscar água, diariamente, em 200 postos espalhados pelo município, onde poderiam captar no máximo 25 litros. A data foi adiada para 15 de julho do mesmo e, por fim, acabou sendo cancelada – ou postergada, caso não seja possível reverter o quadro de seca.

Day Zero: soluções para o fim da crise

Em 2017 foi registrado o inverno mais seco da história da cidade, um fenômeno que climatologistas locais afirmam só ocorrer a cada mil anos. Após entrar em estado de crise no começo de 2018, no inverno do mesmo ano as chuvas voltaram e garantiram o fornecimento hídrico por pelo menos mais um ano.

Mas não foi apenas a chuva que contribui na recuperação da crise. Várias medidas foram tomadas para ajudar a cidade. A prefeitura, junto com a população, formou um comitê para lidar com a situação. Duas estratégias foram traçadas: diversificar o abastecimento hídrico e reduzir a demanda de água. 

Reservatório de Theewaterskloof com aproximadamente 12% de sua capacidade em 10/02/2018 Foto: Wikipedia

“Atualmente, as barragens que abastecem a cidade estão quase 80% cheias depois de uma chuva de inverno decente combinada com um consumo muito baixo após a seca. Isso nos dá um bom amortecedor contra curtos períodos de baixa precipitação no curto prazo” informou em entrevista cedida a ATLANTICO, a prefeitura da Cidade do Cabo. Também foi destacado as medidas específicas que vêm sendo,“A cidade está trabalhando em vários projetos para fornecer água extra para a Cidade do Cabo, incluindo projetos para aproveitar as fontes de água subterrânea de forma sustentável, projetos para reutilizar águas residuais e, a longo prazo, dessalinização em larga escala”.

Em uma matéria publicada pela revista da University of Cape Town, o pesquisador Kevin Winter, do Future Water Institute, que faz parte da instituição, fez um balanço do que foi aprendido durante a crise. Ele destaca a importância de diversificar as de obter a tratar a água para armazenamento e distribuição. A diversidade ajudaria a uma adaptação mais rápida no caso de mudanças climáticas. Winter, também aponta a fragilidade do sistema barragens de armazenamento, e a importância do reuso da água. 

Cidade do Cabo, Foto: Wikipedia

Dr. Kevin Winter também reforça a necessidade  de manter informações e dados atualizados. Assim como o papel crucial do governo em criar uma rede de confiança com a população, a rede privada, e a comunidade acadêmica. Criando um diálogo direto com espaço para cooperação.

Como parte das soluções para superar a crise novas tecnologias foram implantadas, como a dessalinização, a recuperação de água de esgotos e a perfuração de poços em aquíferos. Restrições ao consumo como o reajustes de tarifa e um sistema de gerenciamento de pressão foram estabelecidas. Dessa forma em 18 meses a cidade reduziu o consumo em mais de 50%.

Enquanto isso a cidade promove a campanha “Think Water”,uma iniciativa da prefeitura para manter a população informada sobre as questões relacionadas a água. Como por exemplo informes sobre os  níveis do reservatório, conscientização para o uso, e informações para sobre as regulamentações e restrições. 

“Sabemos que, para manter o consumo baixo, a comunicação contínua é fundamental.” Destaca a prefeitura, ao se referir a campanha, que têm destaque em todas as mídias sociais oficiais, e informa a população diariamente sobre os níveis do reservatório de água da cidade e as previsões para os dias seguintes. 

Leis de restrição de uso da água continuam em vigor, e um novo documento com validade a partir do dia primeiro de março de 2019 foi lançado. O conjunto de restrições é baseado no acordo chamado “Water By-law” criado em 2010 e revisado em 2018 após a crise hídrica. 

Newlands Spring, Cidado do Cabo Foto: Wikipedia

“Embora a cidade tenha relaxado a meta de consumo de água para 650 milhões de litros por dia, o consumo ainda gira em torno de 600. Isso provavelmente indica que algumas das mudanças que os residentes fizeram para reduzir seu consumo de água e resíduos provavelmente persistirão.” Aponta a prefeitura, ao se referir aos resultados alcançados pela população.

Um plano estratégico para a água foi elaborado pela prefeitura e lançado dia 30 de maio deste ano,e aberto para consulta popular. As estratégias apresentadas têm como objetivo estabelecer acesso seguro à água e saneamento, uso consciente da água, a garantia de água suficiente e segura de diversas fontes, e benefícios compartilhados de recursos regionais. O plano prevê criar uma cidade mais consciente em relação ao manejamento da água até 2040.

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