Está em pleno funcionamento o Angonap Fortaleza, o segundo data center da Angola Cables e o primeiro da empresa no Brasil. Inaugurado no dia 16 de abril, o empreendimento é considerado um importante marco tanto para a empresa angolana quanto para o Estado do Ceará, que põe a região Nordeste do Brasil na rota da conectividade internacional.

Com a presença de empresários e representantes governamentais de ambos os países, o Angonap Fortaleza é resultado de um investimento de 300 milhões de dólares da empresa angolana, que opera dois cabos na capital cearense, o Monet, que conecta Fortaleza aos Estados Unidos; e o SACS, que liga Fortaleza à Luanda, em Angola.

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António Nunes, CEO da Angola Cables, no Angonap Fortaleza

O CEO da Angola Cables, António Nunes, destaca que a conexão dos cabos submarinos, em especial o SACS, oferecem ao Brasil a possibilidade de se ligar a outros continentes, como a Ásia, sem a necessidade de passar pela Europa ou América do Norte, por exemplo.

“Este data center dá a possibilidade do produtor de conteúdo brasileiro fazer negócios internacionais sem sair da sua casa. Por exemplo, se um produtor de games brasileiros e colocar neste data center, as pessoas na África podem utilizar esse jogo de forma muito mais eficiente”, explicou Nunes. Ele disse à ATLANTICO, que grandes empresas, como o portal Globo.com, já está utilizando os serviços do Angonap.

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Também presente na cerimônia, o ministro de Telecomunicações e Tecnologia da Informação de Angola, José Carvalho da Rocha, destacou que o data center vai permitir que Angola e Brasil possam estar ainda mais próximos. “Naturalmente pretendemos maximizar as negociações em todos âmbitos em ambos os países, e pretendemos ligá-los através desta estrutura”, avalia.

Fundada em Luanda no ano de 2009, a Angola Cables é uma empresa de telecomunicações global especializada em operar cabos submarinos de fibra óptica para transmissão de dados e voz à velocidade da luz. A companhia surgiu por conta da intenção do governo angolano em colocar o país no mapa das telecomunicações internacionais e de transformar Angola em um dos hubs do continente africano.

O CEARÁ COMO HUB INTERNACIONAL

O data center também faz parte do plano do Ceará em de ser um grande polo de investimentos internacionais. Assim, o Angonap se une ao hub aéreo e o hub portuário do Pecém para atrair os investidores estrangeiros.

Fundado em março de 2002, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém movimentou 7,2 milhões de toneladas em 2018. Com 30 empresas instaladas – sendo 17 indústrias – o complexo é responsável pela geração de mais de 50 mil empregos diretos e indiretos.

Além disso, as obras de ampliação e modernização do Aeroporto de Fortaleza já estão com 60% de suas intervenções feitas. Iniciada há cerca de um ano, a obra vai ampliar de sete para 15 pontes de embarque e desembarque, ampliando em mais de 100% a capacidade operacional do equipamento. A expectativa é que em 10 anos o aeroporto consiga receber 20 milhões de passageiros por ano ao invés dos quase 7 milhões registrados em 2018

“Fortaleza sai na frente no Nordeste, tirando a concentração do sudeste, principalmente de São Paulo, e trazendo nossa região para esse grande mundo da conexão”, destaca o Governador do Ceará, Camilo Santana. Durante a cerimônia de inauguração do equipamento, ele prometeu estimular e investir na formação acadêmica para atrair novos profissionais para a área de tecnologia.

“Esse novo data center vai trazer grandes possibilidades para o Ceará, de maneira que pode atrair pequenas, médias e grandes empresas a se desenvolverem junto com ele. O data center vai prover conectividade e tudo isso facilita para que as empresas se desenvolvem e assim gerem mais empregos, mais dinheiro e através dessa parceria a tendência é que haja um crescimento da nossa economia como um todo”, emendou Delano Gadelha, presidente da Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Ceará

Já o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio Bezerra, classificou o Angonap como o pontapé de um grande centro de comunicação. Falou ainda que é a materialização do sonho de transformar Fortaleza em pólo tecnológico de ponta.

“A expectativa é que possamos atrair empresas que ajudem o Estado do Ceará a produzir conteúdo que será despachado daqui mesmo para o Brasil e para o mundo”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Ceará, Inácio Arruda, que elogiou o trabalho realizado pela Angola Cables.

Com 12 cabos conectados – dois deles da Angola Cables, Fortaleza é a segunda cidade do mundo com mais cabos submarinos.

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