Nordeste do Brasil com cara de norte da África

(Ellison Alves)

Genipabu é uma das mais belas praias do Nordeste brasileiro. Localizada no município de Extremoz, no Estado do Rio Grande do Norte, o lugar, que engloba um parque turístico com um complexo de dunas, uma lagoa e uma área de proteção ambiental, é considerado um dos principais cartões-postais da região. O ambiente paradisíaco começou a mudar em 1998, quando um casal de empreendedores resolveu oferecer passeios de camelos sobre as dunas, serviço semelhante ao oferecido em áreas desertas nos países árabes e também na região do Magreb, Norte da África.

No início da década de 90, ao chegar no Rio Grande do Norte, o suíço Philippe Landry lembrou de uma viagem que havia feito ao Marrocos. “Poxa, só faltam aqui dromedários”, disse à época. A ideia de oferecer o passeio ficou guardada por um tempo até ele conhecer a turismóloga Cleide Batista, que transformou o projeto em realidade. Mas o processo foi bem complexo. “A primeira importação foi até fácil. Esperamos cerca de nove meses. Mas as importações seguintes foram mais burocráticas porque as exigências foram triplicadas”, lembra Cleide. “Hoje, você não passa menos de dois anos para conseguir uma importação dessa, porque a legislação brasileira mudou radicalmente”. Como o Brasil não aceitava animais que vinham da África, o casal teve que importá-los da Espanha.

De lá para cá, foram outras duas levas de dromedários. A Dromedunas, empresa dos dois que administra os passeios, já tem 20 animais, 13 nascidos em cativeiro. “Já temos dromedários brasileiros”, comemora. Cleide revela que pretende alcançar a marca de 50 animais nos próximos anos e que, para isso, estuda levar o passeio para outros Estados brasileiros. “Vamos perder o título de exclusivos da América do Sul e passaremos a ser pioneiros porque fomos os primeiros do Brasil”, lamenta. A empreendedora refere-se à colega Edinaide Souza, que já explora o segmento turístico na praia de Canoa Quebrada, no Ceará, vizinho ao Rio Grande do Norte e que agora aventura-se no ramo de passeios de dromedários.

“Nós estávamos em busca de um atrativo novo para Canoa, para incrementar mais o turismo. Já tínhamos a agência de viagens, o passeio de buggy e estávamos atrás de novidade. Um dia eu vi uma reportagem sobre o Pará onde as pessoas faziam passeios em cima de búfalos”, conta. “A princípio, pensamos em oferecer o mesmo, mas vimos que era inviável por conto de fatores como a temperatura. Daí pensamos na possibilidade de trazer dromedários, porque já havíamos tentado uma vez, uns anos atrás”. Edinaide argumenta que os dromedários foram escolhidos porque o clima do Ceará é muito parecido com o do Norte da África, de onde vêem os animais. “A legislação brasileira é um pouco burocrática, apesar dos dromedários não serem considerados animais silvestres. Estamos no processo de importação desde maio de 2014”, diz. “A primeira vez viajei como turista e tive ajuda de uma agência de viagens local. Essa agência me apresentou a uma pessoa que cria dromedários e nós conversamos sobre o negócio. Voltei meses depois e fechamos o negócio”, explica Edinaide, que fez várias viagens ao Marrocos para dar continuidade aos trâmites de importação e chegou a contratar uma empresa especializada em exportação e importação de animais. “Muitas vezes a gente pensa em desistir porque o processo é muito complicado, principalmente no Brasil”.

A saga dos dromedários é longa. Eles virão de avião do Marrocos para São Paulo. Depois serão transportados para Fortaleza, capital do Ceará. Depois serão mais algumas horas até a praia de Canoa Quebrada, totalizando cerca de 10.500 km. São quatro machos e duas fêmeas, uma delas ficou grávida no cativeiro, durante o processo de importação. “Estamos contratando um veterinário que tem experiência com animais grandes e trazendo um tratador do Marrocos para dar uma assistência por 90 dias”, adianta Edinaide. “Eles já vêm domesticados, aptos a trabalhar”, diz a empresária, que agora se prepara para promover a divulgação do novo serviço junto ao trade turístico. Enquanto isso, o passeio da Dromedunas segue como referência para o setor turístico do Rio Grande do Norte. “Posso dizer que a nossa empresa é uma das que mais gera mídia para o Estado”, brinca Cleide Batista. “A maioria dos turistas já sabe da existência do passeio porque viu em vários programas de televisão”, relata a guia de turismo Priscilla Medeiros. “Os turistas brasileiros são os que mais gostam do passeio. Os estrangeiros raramente se interessam, talvez porque já visitaram e fizeram passeios com camelos em outros países”.

(Divulgação Dromedunas)

CIDADÃ

Dromedário, Abu Dhabi (César Martins)

A funcionária pública Hiany Teixeira foi surpreendida pelos bichos. “Vim atrás de uma praia mais tranquila e encontrei Genipabu. Subi as dunas para fazer umas fotos e para minha surpresa os dromedários estavam lá com seus treinadores”, conta. “Não resisti a uma foto”.

Um passeio de 15 minutos custa 50 reais. Já um passeio de meia hora custa 75 reais.

O dromedário ou camelo árabe (Camelus dromedarius) é um animal mamífero nativo da região Nordeste da África e da parte ocidental da Ásia, pertencente à família Camelidae, sendo um parente próximo dos camelos. Os dois se diferem fisicamente por três coisas, a principal delas é o número de corcovas. Enquanto os camelos têm duas corcovas, os dromedários só possuem uma. As corcovas são importantes depósitos de gordura que permitem aos animais percorrerem longas distâncias e passar muitos dias sem beber água. Além disso os dromedários são rápidos e resistentes e podem correr a 16 km/h por até 18 horas seguidas.

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